Ladeira abaixo

Primeiro Dia das Mães no governo de Cameli é de insegurança para comerciantes de Rio Branco

Os acreanos que apostaram todas as fichas em um novo governo que prometeu muitas mudanças, incluindo o crescimento da economia, terão que ter um pouquinho mais de paciência. Isso porque os primeiros meses da nova gestão foram marcados por anúncios de queda no orçamento, corte nas despesas e uma nova ameaça de decretação de calamidade financeira.

Com isso, o clima de insegurança vai tomando conta de todos, especialmente onde se movimenta boa parte da economia: o comércio local. Em plena véspera da segunda melhor data para vendas no setor varejista, o Dia das Mães, a projeção dos empresários do setor é de redução nos lucros na faixa de 15% a 20%, em comparação ao mesmo período do ano passado.

Lojas vazias, incerteza e previsão de queda nas vendas /Lane Valle

Há 33 anos no ramo de joalheria na Galeria Meta, Raimundo Neto, que se diz eleitor de Cameli, lamenta que a inciativa privada esteja em declínio nos últimos seis anos. Ainda que não tenha perdido as esperanças no novo governo, critica a promessa de parcelamento do Imposto Sobre Circulação de Mercadoria e Serviços (ICMS), que continua a ser cobrado em cota única.

“Acho pouco tempo para arrependimentos, mas a verdade é que esse novo governo não tem feito mudanças positivas, como o próprio PT não fez nos últimos seis anos, que trouxessem um fôlego maior ao setor que mais gera emprego e renda ao estado. Precisamos ver as coisas acontecendo. Cadê o retorno do prazo de 30, 60 e 90 dias para pagar o ICMS, prometido por Gladson? Votamos em um nome para interromper um ciclo, que parece que volta a se estabelecer em outras cores. Na minha opinião, a situação fiscal, a caixa preta do estado deveria ser aberta ao povo acreano”, disse Neto.

Em relação à “caixa preta” citada pelo empresário, ao despencar da Secretaria de Planejamento, Raphael Bastos deu uma pista sobre o que ela supostamente contém. Assim que confirmada sua exoneração da Seplan, Bastos declarou que o atual governo dispõe de 2,1 bilhões de reais na conta – o que põe em dúvida o desejo (ou fetiche mesmo) do governador Gladson de decretar estado de calamidade financeira no Acre.