Incêndios simultâneos destruíram milhares de canaviais no ano passado e deixaram prejuízo em torno de R$ 1 bilhão ao agronegócio paulista.
Aumentaram as suspeitas de uma possível ligação entre o crime organizado e os incêndios em canaviais paulistas que causaram bilhões de reais em prejuízos ao setor em 2024. A percepção ocorre depois da deflagração da Operação Carbono Oculto que apontou quatro usinas sucroalcooleiras e seis fazendas no interior de São Paulo sob o comando do Primeiro Comando da Capital (PCC).
Segundo Tirso Meirelles, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), algumas usinas foram adquiridas “sob pressão”, com produtores sendo forçados a aceitar valores desvantajosos. “O governador abriu um procedimento nesse sentido [de investigar a ligação do crime organizado com os incêndios], porque na realidade, algumas usinas foram adquiridas por pressão de preço. ‘Ou você faz isso ou faz aquilo’. E as terras são a mesma coisa”, afirmou ao Agro Estadão, nesta sexta-feira, 29.
Na percepção de Meirelles, é impossível um raio de 250 quilômetros, entre Ribeirão Preto e Batatais, no interior do estado, ter pegado fogo simultaneamente. “Isso foi colocado, foi proposital”, declarou.
O dirigente salientou a relevância da operação deflagrada nesta quinta-feira, 28, a partir de uma integração entre as forças de segurança. Segundo ele, traz uma certa tranquilidade para os produtores rurais. “A forma que estava sendo colocada, a forma que ocorreu ano passado sobre esses incêndios criminosos, toda essa pressão que ocorreu deles jogarem o preço embaixo e ser obrigado a vender, criou realmente um clima muito ruim no setor produtivo”, salientou.
Conforme o Agro Estadão noticiou, em agosto de 2024, as queimadas destruíram cerca de 80 mil hectares de áreas de cana-de-açúcar e de rebrota. O prejuízo somado pelo setor ultrapassou R$ 500 milhões. Já, segundo cálculos do governo estadual, as perdas para o agronegócio paulista foram superiores a R$ 1 bilhão.