Quem é o movimento de esquerda que promoveu ataques contra aliados de Bolsonaro

Vários ataques foram registrados nesta segunda-feira (1º) contra os gabinetes e residências de deputados federais da direita e aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O responsável pelos atos de vandalismo foi o Movimento Levante Popular da Juventude, ligado à esquerda. A data foi escolhida em alusão aos 60 anos do regime militar (1964-1985) e para “protestar” contra os atos do 8 de janeiro de 2024.

Um dos ataques foi contra o gabinete do deputado federal André Fernandes (PL-CE), em Fortaleza. O parlamentar disse que irá acionar a Polícia Federal e o Ministério Público Federal diante dos fatos registrados. Os atos de vandalismo – muitos deles contra parlamentares – foram repudiados por políticos de diferentes partidos na Câmara dos Deputados.

Nas imagens em Fortaleza, aparecem jovens com os rostos cobertos pichando paredes, queimando bonecos com a cara de André Fernandes.

Nesse e em outros atos, eles também seguraram cartazes com os rostos dos denunciados no 8/1 e reproduções da Constituição Federal com manchas de tintas vermelhas “remetendo a sangue”. E em algumas residências dos parlamentares, eles picharam: “aqui mora um golpista: por verdade, memória e justiça”.

O Movimento Levante Popular da Juventude disse que praticou os atos de vandalismo em São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Ceará, Maranhão, Pernambuco, Roraima, Amapá, Mato Grosso e ainda no Distrito Federal. O discurso é de que eles supostamente querem “denunciar a tentativa de golpe em 2023 e explicitar sua relação com o Golpe Militar de 1964”.

Nas palavras do Levante, foram feitas “ações simultâneas de denúncia contra políticos e personalidades ligadas à “extrema-direita” que articularam, mobilizaram e/ou estiveram presentes na tentativa de golpe no dia 8 de janeiro de 2023, em Brasília”. De acordo o movimento, “todos os alvos denunciados tiveram ligação direta com a elaboração da minuta ministerial que tentou permitir a intervenção federal, ou cumpriram papel ativo na mobilização e difusão da pauta nas redes sociais”.

E os porta-vozes do movimento ainda dizem que vão pressionar pelas investigações e impedir que haja “anistia pros envolvidos”. “Estamos mais uma vez na porta de quem ataca a democracia, ataca nosso direito de ter voz, ataca os direitos humanos fundamentais. A juventude sabe o quão caro é nosso direito à voz, a tomar decisões. Não assistimos e nem assistiremos calados e caladas a tentativa de vender nosso país”, afirmou Daiane Araújo, da Coordenação Nacional do Levante Popular da Juventude.

O Levante Popular da Juventude é um movimento organizado por jovens de partidos da esquerda que afirma discutir questões sociais, diz que busca “transformar a realidade à sua volta”, mas, na realidade, faz uso de atos de vandalismo para atingir opositores políticos.

O movimento se nacionalizou em 2012, após promover ações de protestos contra militares e apoiadores do regime militar de 1964, quando se discutia a instalação da Comissão de Memória, Verdade e Justiça.

Conforme informações do site do movimento, alguns dos alvos dos ataques desta segunda-feira (1º) foram:

  • Eduardo Bolsonaro – em São Paulo/SP – deputado federal
  • Marcelo Álvaro Antônio (PL) – em Belo Horizonte/MG – deputado federal
  • Pedro Lupion (PP) – em Curitiba/PR – deputado federal
  • Anderson Torres (PL) – em Brasília/DF – ex-ministro da Justiça de Bolsonaro e ex-secretário de Segurança do DF
  • André Fernandes (PL) – em Fortaleza/CE – deputado federal
  • Clarissa Tércio (PP) – em Recife/PE – deputada federal
  • Nicoletti (União) – em Boa Vista/RR – deputado federal
  • Silvia Waiãpi (PL) – em Macapá/AP – deputada federal
  • Antônio Galvan – em Cuiabá/MT – coordenador do Movimento Verde e Amarelo

A reportagem perguntou à Polícia Federal se os atos de vandalismo do movimento de esquerda serão investigados, mas não obteve retorno até a publicação da matéria.

Alvos e repúdio

Após ter sido alvo do movimento e ainda ter tido um boneco com o seu rosto queimado, o deputado federal André Fernandes (PL-CE), pré-candidato à prefeitura de Fortaleza, informou que irá acionar a Polícia Federal e o Ministério Público para investigar o caso e punir os envolvidos.

“Pelos vídeos das câmeras de segurança e pelas imagens postadas em redes sociais já podemos perceber que se trata se movimentos ligados ao PT”, escreveu o parlamentar pelas redes sociais. A afirmação foi feita porque os responsáveis pelo ato estavam cobrindo os rostos e usando camisas do Levante Popular e também do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

A deputada federal Silvia Waiãpi, um dos alvos do movimento, usou as redes sociais para repudiar os ataques sofridos. “Uma ação incitadora de ódio e ataques criminosos! Foram atos de vandalismo que ferem o direito democrático e a liberdade de expressão. Que as investigações apontem os envolvidos e mandantes, assim como, quem financia esses ato”, escreveu a parlamentar.

Ao se posicionar sobre os ataques feitos pelo movimento, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-RJ) disse que ficou “lisonjeado” com a lembrança do Levante que “apoia e tem até dancinha pro Maduro”.

“Ao menos não foram violentos como ocorreu com o Dep. @andrefernm no Ceará, cujo escritório foi pichado e um boneco a sua semelhança incendiado. Claro que isto não será noticiado como anti-democrático ou incitador de ódio, no máximo uma palavra fofinha como “escracho””, escreveu o deputado.

Eduardo Bolsonaro também explicou que, “ao que parece, o ato não foi em frente” ao seu escritório. “Ficou difícil dar certeza, pois a foto é muito fechada, aliás, prática usada por Lula também para esconder que seus atos “populares” são esvaziados”, disse.

Os ataques foram repudiados por outros parlamentares de diferentes partidos na Câmara dos Deputados. “É absolutamente inaceitável que manifestantes recorram à violência para expressar discordâncias políticas”, disse o deputado Coronel Telhada (PP-SP).

O deputado Rodolfo Nogueira (PL-MS) enfatizou a necessidade de respeitar as instituições democráticas e repudiar qualquer forma de violência política.

“A violência política é inaceitável e não pode ser tolerada em uma sociedade democrática. Devemos repudiar veementemente qualquer forma de violência política e garantir que todos os parlamentares possam exercer seus mandatos livremente, sem ameaças ou intimidações”, afirmou.

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