DE TUDO UM POUCO

Renato Gaúcho jogou mais que CR7 sim. E ponto final!

Para início de conversa, deixo claro que, quem não assistiu ao vivo o Renato Portaluppi em campo, perderá boa parte do embasamento necessário para a contestação. Sim, eu sei que hoje em dia o YouTube  nos apresenta algo sobre quase tudo. No caso do futebol então, nos leva a maravilhosos passeios históricos.

Mas, também sei que ele não consegue transmitir algo que é elementar ao futebol: a paixão do momento! Por exemplo: não assisti ao vivo o Rei Pelé em atuação, mas conheci grande parte de sua história em nostálgicas conversas dominicais com meu avô e principalmente em centenas de vídeos. Tenho absoluta convicção que ele foi o maior do planeta. Quase um extraterrestre.

Mas para a minha geração, Zico e Maradona foram os maiores de todos! Eram eles que despertavam todo o sentimento de paixão a cada final de semana. Hoje, quem assiste a um vídeo do Zico, por exemplo, percebe o quanto ele era genial, mas não tem o encantamento de quem assim como eu, o via em atuação quase todo domingo no Maracanã.

Com o Renato Portaluppi, ou Renato Gaúcho, como ficou mundialmente conhecido, ocorre algo parecido. Em entrevistas recentes, o atual técnico do Grêmio, afirmou que ele jogou mais  que o craque português Cristiano Ronaldo. Foi alvo de milhares de postagens irônicas e debochadas, que contestavam o que ele havia dito.  Quase todas, de pessoas que não eram nascidas ou eram muito novas quando o craque brasileiro encantava o país com seus dribles. Sim, ao contrário do CR7, o Renato Gaúcho era mais arte do que força física. Embora fosse “um touro” de força. Dificilmente perdia uma dividida.

Ponta direita, Renato se caracterizava pela junção de habilidade, velocidade e força. Encantou o mundo ainda muito jovem. Aos 21 anos de idade, ao lado de craques como, Paulo César Caju e Mário Sérgio, conduziu o Grêmio aos títulos da Copa Libertadores da América e Mundial de Clubes. Ficou no clube gaúcho até 1987, quando foi contratado pelo Flamengo. Ainda hoje, Renato é o principal ídolo dos gremistas.

Um ano antes de mudar para o Rio de Janeiro, Renato Gaúcho fora convocado para a copa do mundo de 1986 por Telê Santana. Mas uma saída não autorizada da concentração, fez com que o Técnico o cortasse da copa. Ruim para Renato, pior para a seleção! Sem muita alternativa para mudar a forma de jogar, fomos eliminados pela seleção francesa nas quartas de final, na disputa de pênaltis, após empate de 1 a 1 no tempo normal e prorrogação.

Renato Gaúcho e Rio de Janeiro: Um casamento perfeito. 

No Flamengo, Renato Gaúcho virou ídolo novamente. Só que agora, da maior torcida do país. Foi essencial na conquista do campeonato brasileiro de 1987. E ao lado de craques como Zico, Bebeto, Andrade, entre outros, levou o rubro negro carioca a mais um título nacional.

Time campeão brasileiro de 1987. Renato entre Aílton e Zico

Um fato inusitado neste campeonato brasileiro de 1987 foi que na semifinal, o Flamengo enfrentou o Atlético Mineiro, que era comandado por Telê Santana, profundo desafeto de Renato desde que o cortara da copa do mundo, no ano anterior. E adivinhe quem fez o gol (um golaço, por sinal) que classificou o Rubro negro para a final? Sim, ele mesmo! E ao comemorar, se dirigiu ao banco do Atlético e com o indicador pediu silêncio ao técnico Atleticano, imortalizando esse tipo de comemoração.

Renato teve uma breve passagem pelo Roma da Itália, onde também se tornou ídolo no país da bota. Mas a saudade do Rio de Janeiro antecipou sua volta à Cidade Maravilhosa. Renato Gaúcho era na época, um estilo de Neymar da atualidade. Carros importados (uma raridade no Brasil, naqueles anos), incontáveis namoradas e coleção de títulos, fizeram com que a imprensa esportiva o apelidasse de Rei do Rio.

Foi o grande ídolo do Botafogo no vice-campeonato brasileiro de 1992, quando perdeu a final para o rival rubro negro. Em 1995 tirou o Fluminense de um jejum de 10 anos, levando o tricolor ao título carioca, com uma vitória de 3 a 2 sobre o Flamengo. Detalhe: o terceiro gol tricolor foi feito por ele. E de barriga! Era o ano do centenário do clube rubro negro, o que tornou o feito ainda mais histórico para a torcida tricolor.

FUTEBOL – HISTÓRIA DO BOTAFOGO-RJ – ESPORTES – ACERVO – Renato Gaúcho, jogador do Botafogo-RJ, após a partida contra o São paulo FC, válida pelo Campeonato Brasileiro de 1992 – stádio Cícero Pompeu de Toledo(Morumbi) – SP – Brasil – 10/05/1992 – Foto: Acervo/Gazeta Press

Renato Gaúcho é de uma geração em que não existia o chatíssimo “politicamente correto” no futebol. Nas entrevistas durante a semana que antecedia aos grandes clássicos, debochava do time rival, prometia gols (e quase sempre cumpria a promessa), fazia apostas com jogadores do outro time, enfim, promovia o clássico. Era uma espécie de showman do mundo futebolístico.

Gol de barriga contra o Flamengo. Final do carioca de 1995

Não é intenção deste colunista, criar qualquer tipo de polêmica com a rapaziada mais jovem, que não assistiu o camisa 7 de meiões baixos em atuação. Ao contrário, acho o Cristiano Ronaldo um exemplo de atleta e fabuloso jogador de futebol. Porém, representar no “país do futebol” o que o Renato Gaúcho representou durante duas décadas, não é para todo camisa 7.

Jogou mais e foi mais ídolo sim! E isso, é só para repor uma verdade histórica. Jamais para menosprezar o jogador português, um dos melhores em atividade na atualidade.

Um brinde ao futebol e a toda polêmica que ele envolve. Até a próxima!