O senador Eduardo Girão (Novo-CE) chegou aos Estados Unidos nesta terça-feira (20) para cumprir uma agenda em Washington voltada a reuniões com a Comissão Interamericana de Direitos Humanos, ligada à Organização dos Estados Americanos (OEA), e com parlamentares norte-americanos. O objetivo, segundo o parlamentar, é tratar da prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro e de outros condenados pelos atos de 8 de janeiro.
Girão afirmou à Jovem Pan que os encontros devem ocorrer ainda nesta semana e contarão com a participação de assessores de senadores que integram a Comissão de Direitos Humanos do Senado. De acordo com ele, a pauta não se restringe à situação de Bolsonaro. “Vamos tratar não apenas da prisão de Bolsonaro, mas de todos os presos políticos em geral”, declarou.
Nas redes sociais, o senador disse que a viagem ocorre paralelamente à mobilização liderada pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), que promove uma caminhada até Brasília. Segundo Girão, a agenda internacional tem como foco denunciar o que classifica como “violações das liberdades individuais” e “uma ditadura da toga” no Brasil.
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), presidente da CDH do Senado, anunciou que a Corte Interamericana de Direitos Humanos acatou um pedido apresentada por ela e outros parlamentares para apurar as condições da prisão de Jair Bolsonaro. O grupo sustenta que o ex-presidente, condenado a 27 anos de prisão por golpe de Estado, estaria sendo submetido a tortura.
A senadora afirma que há violação de direitos humanos tanto no mérito da condenação quanto na forma de execução da pena.Damares alega que Bolsonaro, por ter mais de 70 anos e apresentar problemas de saúde, não deveria cumprir pena em regime fechado, o que, na avaliação dela, caracterizaria tratamento degradante.
Jair Bolsonaro cumpre pena desde novembro em uma sala de Estado da superintendência da Polícia Federal, em Brasília. Ele foi condenado em setembro por tentativa de golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, organização criminosa, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.
Esta não é a primeira vez que parlamentares da oposição viajam aos Estados Unidos para tratar da situação do ex-presidente e de outros condenados pelos ataques de 8 de janeiro. Em janeiro de 2025, uma comitiva de deputados e senadores alinhados a Bolsonaro esteve em Washington para acompanhar a posse do presidente Donald Trump e discutir o tema com representantes do Partido Republicano.


