Tarcísio deve ir a reunião do Republicanos e aumentar pressão por apoio a Flávio

O governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), deve participar nesta terça-feira (6) da reunião do partido que pode definir o apoio da sigla ao senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial. O encontro, como antecipou a coluna, está previsto para acontecer em Brasília e, segundo interlocutores, a presença do governador deve aumentar a pressão interna pelo fechamento do acordo.

Tarcísio desembarcou na capital federal nesta segunda-feira (5), como mostrou a Jovem Pan com exclusividade, para participar de uma reunião com Flávio e discutir as estratégias para a nova etapa da disputa. O governador deve passar a noite em Brasília e retornar a São Paulo apenas no início da noite desta terça, o que permite sua participação na reunião do Republicanos.

“O fato de Tarcísio comparecer dá um peso diferente”, afirmou uma pessoa próxima ao governador. Publicamente, Tarcísio já declarou diversas vezes que pretende trabalhar pelo apoio do partido a Flávio. Em entrevista à Jovem Pan, inclusive, chegou a afirmar que seria um erro não selar a parceria.

Nos bastidores, porém, interlocutores relatam que o governador tem sido ainda mais enfático nas conversas internas. Tarcísio também passou a demonstrar confiança no desempenho de Flávio e tem repetido a aliados que acredita em uma vitória do senador com uma vantagem superior à obtida por Jair Bolsonaro em relação a Lula (PT) em 2022. A projeção feita pelo governador é de que Flávio termine a eleição cerca de cinco pontos porcentuais à frente da margem registrada pelo pai na última disputa presidencial.

A mudança de postura de Tarcísio também é percebida nos corredores do Palácio dos Bandeirantes. Antes mantendo uma “distância segura” da campanha de Flávio, o governador passou a se envolver mais diretamente na disputa desde a crise envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Desde então, Tarcísio também entrou na onda de otimismo que tomou conta da campanha de Flávio e passou a atuar mais diretamente pela construção de apoios ao senador.

O principal entrave para uma mudança de posição do Republicanos, no entanto, está no comando da Câmara dos Deputados. O presidente da Casa, Hugo Motta, é mais próximo do presidente Lula e tem influência dentro da legenda.

No primeiro turno, mesmo diante das investidas de Tarcísio, o Republicanos optou pela neutralidade na disputa presidencial. Agora, o governador volta a Brasília para tentar mudar esse cenário justamente no momento em que o partido precisa definir sua posição para o segundo turno.

Outros partidos

O Republicanos não é o único partido que já se movimenta para uma eventual segunda etapa. A federação formada por PP e União Brasil também marcou uma reunião para terça-feira (6) para discutir a posição diante do resultado das urnas.
Internamente, há expectativa de apoio a Flávio. O União Brasil, inclusive, defendia que a federação apoiasse o senador ainda no primeiro turno, mas o movimento acabou barrado pelo presidente do PP, Ciro Nogueira, que havia se desentendido com Flávio.

No MDB do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, aliado de Flávio, os caminhos são difíceis. Nunes até deve conversar com o presidente da sigla, Baleia Rossi, sobre o assunto, mas membros do MDB afirmam que a chance de apoio é “zero” e que o partido deve manter a neutralidade. Apesar do PSD de Gilberto Kassab se manter neutro também, o então presidenciável do partido, Ronaldo Caiado, vai anunciar o apoio amanhã. Romeu Zema, do Novo, fez o mesmo movimento.

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