MEU ACRE QUERIDO

#TBT do Acre: Gameleira

A 140 anos atrás o mundo era completamente diferente do que o que conhecemos hoje, era uma época das transformações e desbravamentos. Os EUA começavam a despontar como potência mundial e a Revolução Industrial passava pelo seu segundo estágio de desenvolvimento. Com ela, um produto que era de uso exclusivamente indígena ganha seu valor comercial no mundo, gerando muito lucro para quem o explorasse. É aqui que começa a nossa história.

Foi com o avanço comercial da borracha que em 1860 começaram a acontecer as primeiras viagens de exploração em direção as terras acreanas, um dos desbravadores era um cearense chamado Neutel Maia, que navegou pelo Rio Acre em busca de terras livres para ser proprietário de fazenda para cultivo de seringueira.

Foi assim que em 28 de dezembro de 1882 numa sinuosa curva do rio, Neutel Maia avistou ali uma frondosa árvore que lhe chamou a atenção e decidiu amarrar a sua embarcação ao seu tronco. O mundo mudou em 140 anos, mas esta árvore está lá até hoje, ela se chama Gameleira.

Aquele lugar parecia perfeito para Neutel Maia, havia um estirão do rio e no início dela estava a grande árvore para atracar o barco a vapor. Ali foi fundado o Seringal Volta da Empreza, que mais a frente viraria a capital do Estado do Acre. O estirão em pouco tempo seria a primeira rua da história da cidade, hoje é o que conhecemos como Calçadão da Gameleira.

Primeira rua de Rio Branco. Imagem/Internet

A histórica árvore é talvez o mais importante símbolo de Rio Branco, ela viu Neutel Maia ao longe dizer para seus homens pararem a embarcação ali, viu a primeira rua nascer, o comércio, as casas, viu combates entre revolucionários acreanos e tropas bolivianas na Revolução Acreana, viu o que já foi o Seringal Empreza virar a capital Rio Branco em 1920, viu suas escadarias de pedra serem construídas em 1930, seu calçadão virar Patrimônio Histórico e Cultural em 1981 e está lá quando em momentos de lazer aos fins de semana você passeia com sua família, muitas vezes sem nem saber que ali existe uma testemunha privilegiada de toda a história da nossa cidade.