MEU ACRE QUERIDO

#TBT do Acre: Hélio Melo

Morando em um seringal, um menino de oito anos de idade utilizando carvão e tintas naturais que preparava extraindo sumo das plantas começava os seus primeiros rabiscos. Dividindo sua paixão pela arte e o árduo trabalho como seringueiro, o menino provavelmente nunca imaginou que se tornaria um dos maiores expoentes das artes plásticas no Estado do Acre.

Em 1926 nascia na cidade de Boca do Acre (AM), Hélio Holanda Melo, que apesar de ter estudado somente até a terceira série do primeiro grau, sempre mostrou ser diferenciado. Foi dentro de um seringal que fez os seus primeiros rabiscos e aprendeu sozinho a tirar as primeiras notas de um violão, instrumento que mais tarde trocaria por sua maior paixão musical – o violino.

E foi ali, entre os cortes nas estradas de seringa no meio da floresta que aprendeu sozinho a ser violinista. Encantado com a beleza e os mistérios da Amazônia, o pequeno Hélio aproveitava as horas vagas tentando passar para pedaços de papel o que via ao seu redor, prática que lhe daria futuramente a alcunha de O Pintor da Selva.

Em 1959, após a morte de sua mãe, deixou os seringais e veio para Rio Branco em busca de uma vida melhor para sua família. Na capital acreana começou seus trabalhos como catraieiro, ajudando a travessia de pessoas de uma margem à outra do rio Acre. Seu emprego não duraria muito tempo, alguns anos depois a ponte Juscelino Kubitschek seria inaugurada, dando fim ao trabalho de muitos catraieiros no centro da cidade, já que não havia mais tanta procura.

Foi assim que no início dos anos 70 para conseguir sustentar sua mulher e os cinco filhos, Hélio Melo começou a trabalhar como barbeiro ambulante, depois como vigia e em 1978, incentivado por Genésio Fernandes e Gregório Filho então Presidente da Fundação de Cultura do Acre começou produzir desenhos para expor na Biblioteca Pública, daí começa sua nova fase e o Acre começa a conhecer o artista Hélio Melo.

Veja algumas das pinturais mais famosas de Hélio Melo:

Pinturas: 1. Estrada da floresta (1983); 2. Ferramentas do seringueiro (1983); 3. Homem defumando; 4. Burro sobre a árvore; 5. Família e mulher vaca; 6. Serradores; 7. Árvore vaca e árvore bezerro; 8. Seringueiro fazendo corte na árvore; 9. Árvore vaca; 10. A árvore que chora;

O artista que dá o nome a um bairro em Rio Branco e a um teatro com capacidade para 150 pessoas, faleceu no dia 22 de março de 2001, mas seu legado será eternizado na história do Acre.

“Então, como aprendi sem professor, podem me chamar de pintor da selva. Porque só quem viveu lá dentro é capaz de descobrir os mistérios da natureza por meio de nossos irmãos índios, donos da floresta.”

Hélio Melo