De tudo um pouco

Toca Raul

Comecei a escrever há algumas semanas atrás, sobre as décadas marcantes do século passado. Sempre, ao fazer as pesquisas necessárias, me deparava com a figura de Raul Seixas como personagem importante da década em questão, fosse ela a de 60, 70 ou 80.  E ainda hoje, o Maluco Beleza, é um dos artistas mais tocados em festas e rodas de viola. Sim… Toca Raul! E por que não?

Raul Santos Seixas nasceu em Salvador, no dia 28 de junho de 1945, filho de uma família típica da classe média baiana.  Profundo admirador do Rock and Roll, foi o fundador do primeiro fã clube do Elvis Presley no Brasil. Em 1962 fundou o grupo “Relâmpagos do Rock”, que mais tarde passaria a se chamar “Os Panteras”. O primeiro disco lançado pelo cantor foi “Rauzito e Os Panteras” no ano de 1968.

Um pouco mais tarde, em 1972, o cantor participa do Festival Internacional da Canção. Raul Seixas compõe duas músicas, “Let me sing, let me sing”, defendida por ele, e “Eu sou eu e Nicuri é o diabo”, interpretada por Lena Rios e Os Lobos. As duas foram sucesso de crítica e público e ambas selecionadas para a final.  Foi nessa mesma época que Raul Seixas tem o primeiro contato com o hoje consagrado escritor, Paulo Coelho. Que mais tarde, se tornaria seu parceiro musical em grandes sucessos. Como por exemplo, Al Capone, Gita, Medo da Chuva, Sociedade Alternativa, entre tantas outras obras-primas. Uma parceria explosiva.

Em 1974, Raul Seixas e Paulo Coelho criam a Sociedade Alternativa. Uma sociedade baseada nos preceitos do “bruxo” inglês, Aleister Crowley. Fundador da doutrina Thelema. Na Sociedade Alternativa de Rauzito, a única lei era: “Faça o que tu queres, pois é tudo da lei”. Em seus shows, o Maluco Beleza divulgava a Sociedade Alternativa com a música de mesmo nome. A ditadura militar prendeu Raul Seixas e Paulo Coelho, pensando que a Sociedade Alternativa fosse um movimento armado contra o governo.

Depois de torturados, Raul e Paulo foram exilados para os EUA, com suas respectivas esposas, Edith Wisner e Adalgisa Rios. Muitas histórias dessa época, como o encontro de Raul com John Lennon são constantemente contadas. Contudo, ninguém consegue afirmar se são ou não verdadeiras.

Com Marcelo Nova em sua última entrevista

Raul é por si só um paradoxo. É ao mesmo tempo, simples e complexo; raso, largo e profundo. Tão místico quanto realista; tão louco como lúcido. É a mosca na sopa, o pai, a mãe, o avô; o filho que ainda não veio… o início, o fim e o meio. “Conselheiro” de Al Capone, viu Maomé cruzar o mar vermelho e Pedro negar Cristo por três vezes diante do espelho. Consertou vitrola para ouvir música, não tirou onda de herói, foi vacinado, foi cawboy e nasceu há dez mil anos atrás. Raul seixas, assim como a boa música, não tem idade e nem década.  Vale por todas. É imortal!

Então vai… E grita ao mundo que você está certo. Que aprendeu tudo enquanto estava mudo e já não tem mais nada o que fazer, a não ser verdades pra dizer… a declarar!

Afine sua viola, faça fumaça e toca Raul!

Let me sing. E até a próxima.