Toffoli visitou resort nas mesmas datas que jatinho dos irmãos Batista

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli hospedou-se no resort Tayayá, no Paraná, em duas datas que coincidem com deslocamentos de um jatinho usado por um dirigente da J&F. Os registros mostram que a aeronave saiu de Brasília e passou por região próxima ao resort exatamente nos dias em que o ministro estava no local.

A J&F é a holding controladora da JBS, uma das empresas condenadas na Operação Lava Jato, durante as gestões do PT. Relatórios internos citados por integrantes do setor de aviação informam principalmente que os voos ocorreram nos dias 19 e 22 de dezembro. No mesmo período, segundo o site Metrópoles, equipes de segurança do Judiciário acompanharam Toffoli em sua visita ao resort. 

A simultaneidade dos deslocamentos chamou a atenção de analistas políticos. Do mesmo modo, gerou repercussão entre especialistas em transparência pública. O resort Tayayá integrou o patrimônio da família de Toffoli até 2025. No ano passado, um advogado próximo a executivos da J&F adquiriu a participação no empreendimento. Irmãos do ministro transferiram o patrimônio por meio de procuração ao comprador.

A operação levantou suspeitas sobre a existência de um possível “laranja”, como forma de ocultar uma ligação direta com o grupo empresarial dos irmãos Batista, empresários aliados do governo Lula da Silva. Mesmo depois da venda da participação, funcionários do resort continuaram a associar o nome de Toffoli ao empreendimento, em razão de sua frequência no local. 

Resort: reduto frequente de ministro

Há informações de que desde 2022 o ministro do STF tem passado mais de uma centena de dias no Tayayá. A situação reforça a percepção de proximidade com o espaço e seus novos administradores. A coincidência envolvendo o jatinho e as visitas do ministro alimentou questionamentos sobre governança, transparência e potenciais conflitos de interesse.

Especialistas destacam que, embora não haja comprovação de irregularidade, o episódio exige a necessidade de clareza sobre relações entre autoridades do Judiciário e grupos econômicos relevantes. Até o momento, a assessoria de Toffoli não se manifestou sobre os deslocamentos, suas estadas e eventuais contatos com empresários ligados à J&F. 

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