Um documento com anotações atribuídas ao senador Flávio Bolsonaro (PL) revela bastidores das articulações do Partido Liberal para a construção de palanques estaduais nas próximas eleições. Intitulado “situação nos estados”, o material foi apresentado a jornalistas durante entrevista coletiva na sede do Partido Liberal, em Brasília, e reúne avaliações estratégicas sobre disputas aos governos estaduais e ao Senado.
As anotações foram feitas ao longo de reuniões com integrantes da cúpula do partido, incluindo o presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto, além de outros aliados envolvidos na estratégia eleitoral. Após visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro na Papudinha, Flávio confirmou a autoria dos registros, embora tenha ponderado que parte das opiniões descritas no documento são de terceiros.
Ulysses no Senado?
No Acre, o documento detalha possíveis cenários e nomes que podem compor o tabuleiro eleitoral. Para o governo do estado, aparecem o senador Alan Rick (Republicanos) e o prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom. Já para o Senado, são citados Marcio Bittar (PL), que deve disputar a reeleição, o governador Gladson Cameli (Progressistas) e o deputado federal Coronel Ulysses (União-AC).
A inclusão de Ulysses nas anotações chama atenção. Embora vá à reeleição à Câmara Federal, a menção ao seu nome indica credenciamento junto ao núcleo mais forte do bolsonarismo. O parlamentar tem se destacado por posicionamentos alinhados ao grupo político, o que pode ampliar seu espaço nas articulações estaduais e nacionais.

Na imagem do documento, é possível observar um “x” marcado ao lado do nome do prefeito Tião Bocalom, o que indica uma possível definição ou descarte dentro das articulações analisadas. Já o nome da vice-governadora Mailza Assis, do PP, sequer aparece entre as possibilidades de apoio mencionadas nas anotações.
Também nesta quarta-feira (25), o diretório estadual do Partido Liberal no Acre tornou público um posicionamento admitindo a possibilidade de Bocalom deixar a sigla para disputar o governo por outra legenda. A carta é assinada pelo presidente regional da sigla, Edson Siqueira.
Estratégias em outros estados
O documento também traz exemplos de estratégias em outros estados, como no Rio de Janeiro, onde o PL abriu espaço para aliados do Centrão na disputa ao Senado, e em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, onde há menções a conversas com o governador Tarcísio de Freitas e à possibilidade de composição de chapa.
Veja abaixo as anotações atribuídas a Flávio e as possíveis articulações eleitorais:







