Valor recorde: Carne bovina bate R$ 150/kg nos EUA, por culpa da seca, México e tarifaço

O USDA (Departamento de Agricultura dos EUA) divulgou que a produção de carne bovina em 2025 deve alcançar 25,9 bilhões de libras, uma revisão para baixo de 1% em relação ao mês anterior e 4% menor que a expectativa do início do ano. É a menor oferta doméstica em pelo menos uma década.

A seca prolongada vem reduzindo o número de animais nos pastos e afetando diretamente a produtividade. O peso dos bovinos abatidos tem diminuído, resultado da escassez de alimento e da pressão ambiental sobre a pecuária. Segundo o relatório oficial, “a produção foi reduzida devido ao menor abate de bovinos alimentados e não alimentados e ao registro de animais com peso inferior”.

Impacto da tarifa de 50% imposta por Trump ao Brasil

Outro golpe veio da política comercial. Desde julho, os EUA impuseram uma tarifa de 50% sobre a carne bovina brasileira, o que levou o USDA a reduzir a previsão de importações. Para 2025, a queda já é estimada em 1,9%, mas o efeito mais forte será sentido em 2026, quando as compras externas devem cair 7,5%.

Em números, a perda representa 400 milhões de libras (cerca de 180 mil toneladas) de carne a menos no mercado norte-americano, aumentando a pressão sobre a oferta e impulsionando os preços.

Restrições ao gado do México

O México, tradicional fornecedor de gado vivo aos EUA, também ficou fora do jogo. Em maio, as autoridades norte-americanas suspenderam as importações devido ao surto da NWS (New World Screwworm), conhecida como “bicheira-do-Novo Mundo”, uma praga parasitária devastadora.

A doença, além de atacar bovinos, pode se espalhar para aves e até atingir seres humanos em casos raros. Diante do risco, os EUA mantiveram a proibição, frustrando expectativas de uma rápida normalização do comércio. Para combater a NWS, foi anunciado um plano de longo prazo, incluindo a construção de uma fábrica de moscas estéreis no Texas, destinada a conter a propagação da praga no México.

Pressão sobre o consumidor

Os reflexos chegam diretamente às mesas norte-americanas. A carne moída, base dos hambúrgueres, subiu 3,9% em julho e acumula alta de 15,3% em seis meses, com preço médio de US$ 6,33 a libra (cerca de R$ 75/kg).

Esse quadro, descrito como uma “tempestade perfeita” para o setor, une crise climática, restrições sanitárias e barreiras comerciais, criando um ambiente de escassez que pressiona tanto produtores quanto consumidores.

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