Valterlucio Campelo: Não exagerem – Alan Rick tá “voando”

Diante de uma série de chamadas de blogs e sites de notícia dando conta de um suposto crescimento da candidatura de Mailza Assis, em função dos resultados da pesquisa do Instituto Real Big Data. Não sei se por burrice ou mediante paga, estão por aí várias chamadas até de sites de notícias importantes repetindo essa bobagem com tons de sobriedade, como se as pessoas fossem tolas e não percebessem o jogo. Penso, pois, que são necessários alguns esclarecimentos.

Em primeiro lugar, os institutos DELTA e BIG DATA utilizam metodologias radicalmente diferentes. A primeira vai aos bairros e ao centro da capital, aos municípios do interior e entrevista pessoalmente o eleitor. A segunda, usa o telefone. A diferença é brutal. Explico:

Segundo a literatura, as pesquisas presenciais tendem a ter maior representatividade e controle amostral. Pesquisas por telefone tendem a ser mais rápidas, baratas e supervisionáveis, mas podem ter mais recusas e menor alcance em certos grupos. Para universos pequenos como o Acre, as pesquisas presenciais (DELTA) tendem a ser mais próximas da realidade. Comparemos:

Tabela 1 – Diferenças Metodológicas DELTA x REAL TIME BIG DATA

AspectoPresenciais (face a face)Telefônicas (CATI)
Representatividade e coberturaAlta: alcança baixa renda, baixa conectividade e áreas sem telefoneVariável: pode subcobrir pobres, rurais e idosos sem telefone
Controle amostral/validaçãoForte: validação visual de sexo/idade/ESCI e cotas in locoBom: controle por script; validação indireta (autorrelato)
Viés de coberturaMenor, pois não depende de telefone/internetMaior: depende de posse/uso de telefone; exige ajuste amostral
Taxa de recusaModerada; melhora com treinamento e abordagemMaior; muitos não atendem/recusam, exige múltiplas tentativas
Velocidade de coletaMais lenta (logística de campo)Mais rápida (campo em dias, call center escalável)
Custo por entrevistaMais alto (equipe, deslocamento, segurança)Mais baixo (infra CATI, equipe centralizada)
Alcance geográfico/ruralExcelente, inclusive áreas remotasLimitado onde sinal/linhas são escassos
Ponderação pós-coletaMenor dependência, mas ainda aplica traking/calibraçãoEssencial para corrigir cobertura/recusa (traking, dual-frame)
Públicos de difícil acessoMelhor com idosos, baixa escolaridade, informaisMelhor com ocupados/urbanos com alta conectividade
Erros típicosClusterização alta e efeito de desenho maiorSubcobertura e não resposta diferencial

Diante de tantas diferenças, parece obvio que não se deve comparar os resultados dos dois institutos. É como carne de panela e carne de churrasco. Nem é que uma seja melhor que a outra, mas que são diferentes, simples assim. Isto posto, podemos voltar e comparar a BIG DATA de hoje com a BIG DATA anterior e, a partir daí, tirarmos algumas conclusões sérias.

Tabela 2 – BIG DATA (duas últimas)

CandidatoBIG DATA (18/06/2026)BIG DATA (27/07/2026)
Pref.Votos válidosPref.Votos válidos
Alan Rick39%44,32%38%42,22%
Mailza Assis26%29,55%28%31,11%
Tião Bocalom18%20,45%17%18,89%
Thor Dantas5%5,68%7%7,78%

As diferenças, embora não devam ser consideradas nulas ocorrem na margem de erro, ou seja, NÃO autorizam conclusões sobre a movimentação para cima ou para baixo de qualquer dos candidatos em qualquer das situações. Mesmo assim, consideramos relevante que a leve subida de Mailza e a leve queda de Alan, no conjunto oferecem um saldo de 3% na diferença entre ambos, o que reflete nos votos úteis cuja diferença passou de 14,77% para 11,11% no decorrer de 40 dias que separam as pesquisas. É pouco, considerando-se a margem de erro, mas não é nulo.

Neste contexto, é importante levar em conta as simulações de segundo turno entre os principais concorrentes. Vejamos que em junho Alan Rick teria 56,79% dos votos, contra 43,21% da Mailza Assis. Hoje, segundo o BIG DATA, essa relação seria de 55,56%% contra 44,44% da Mailza Assis, tudo considerando-se os votos válidos.

Entrando nos próximos dias em outra fase da campanha, com exposição plena dos candidatos, programas eleitorais, debates, entrevistas e reuniões, além de decisões importantes no âmbito jurídico, muito provavelmente esses números mudarão. De todo modo, é possível dizer com base em análises estatísticas mais complexas que Alan Rick ganhará as eleições.

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Valterlucio Campelo

Valterlucio Bessa Campelo escreve semanalmente nos sites AC24HORAS, DIÁRIO DO ACRE, ACRENEWS e, eventualmente, no site Liberais e Conservadores do jornalista e escritor PERCIVAL PUGGINA, no VOZ DA AMAZÔNIA e em outros sites. Seu último livro, o ensaio político-filosófico “O anel progressista: como o poder tutelar se torna invisível”, está à venda pela editora independente UICLAP.

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