Em períodos eleitorais fervilham as pesquisas, cada uma com sua metodologia e credibilidade construída em anos de trabalho e resultados. A melhor forma, creio, de acompanhar os resultados e as tendências reveladas é escolher uma metodologia e, em consequência, os institutos que com ela trabalham. Considerando que a pesquisa presencial é a mais consolidada em comparação com telefônicas e web-pesquisas, escolhi o instituto DELTA como bússola. Além do método mais adequado, o instituto tem muitos anos de experiência e bons resultados. Sendo assim, contando com a pesquisa divulgada nesta terça-feira, temos a tabela abaixo, para governador, já com cinco edições com os quatro principais candidatos.
Tabela 1 – PESQUISAS DELTA (governador)
| Coleta | Alan | Mailza | Bocalom | Thor | BN | NS/NR |
| 16–21 mar | 40,36% | 20,78% | 15,60% | 2,68% | 3,68% | 16,30% |
| 1–6 jun | 39,55% | 19,40% | 17,07% | 2,00% | 2,58% | 19,40% |
| 27–30 jun | 41,25% | 19,25% | 19,50% | 2,50% | 4,00% | 13,50% |
| 11–15 jul | 38,27% | 19,48% | 19,28% | 1,79% | 4,08% | 17,10% |
| 4–9 ago | 38,17% | 25,15% | 14,02% | 3,48% | 3,08% | 15,50% |
Traduzida em votos úteis (excluem brancos e nulos) e distribuindo os indecisos proporcionalmente aos decididos (baseline) – cada candidato recebe fração dos indecisos proporcional à sua participação entre os já decididos. Temos como na tabela abaixo.
Tabela 2 – Pesquisas DELTA (votos úteis)
| Coleta | Alan | Mailza | Bocalom | Thor | Outros |
| 16–21 mar | 50,44% | 25,97% | 19,49% | 3,35% | 0,75% |
| 1–6 jun | 50,68% | 24,86% | 21,89% | 2,56% | — |
| 27–30 jun | 50,00% | 23,33% | 23,64% | 3,03% | — |
| 11–15 jul | 48,56% | 24,72% | 24,47% | 2,27% | — |
| 4–9 ago | 46,88% | 30,87% | 17,21% | 4,27% | 0,74% |
A simples observação das tabelas permite tirar algumas conclusões:
- Alan Rick mantém em seis meses uma cristalização da preferência (com uma leve diminuição na margem de erro), em torno dos 40%.
- Mailza Assis apresenta um leve crescimento recente que a tirou do empate técnico com Bocalom, mas não ao ponto de encostar no líder.
- Bocalom, que vinha resistindo, caiu além da margem de erro no último mês, se afastando da disputa real (abaixo da metade do primeiro colocado).
- O crescimento da Mailza se deu às custas do Bocalom – é praticamente igual ao decréscimo do ex-prefeito.
- O candidato da esquerda, Thor Dantas, patina à margem da disputa apesar de todo o empenho e exposição através da mídia.
- Mantendo-se estável, Alan Rick não conseguiu determinar uma chance plena de vitória no primeiro turno, embora a possibilidade não esteja totalmente afastada.
- As intensas movimentações de candidatos proporcionais e de vices não alteraram significativamente o quadro.
Com um pouco mais de acuidade, atualizei um modelo estatístico que propus anteriormente e obtive os seguintes resultados a partir do método Monte Carlo, com a “FORÇA” de cada candidato como prior (Bradley–Terry), com as três últimas ondas DELTA para nowcast e variância, e com matrizes de transferência calibradas. Isso me entregou as seguintes probabilidades pontuais com intervalo de confiança.
Tabela 3 – Probabilidades de vitória
| Alan | Mailza | Bocalom | Thor | |
| 1º Turno | 14% | ZERO | ZERO | ZERO |
| 2º Turno | 85% | 17% | < 1% | ZERO |
Fiz ainda a simulação de que em um segundo turno os votos de Bocalom e Thor migrem metade para cada candidato (Alan e Mailza). O modelo me entrega uma previsão de 58%-60% para Alan contra 42%-40% para Mailza. Isso é estatística. Todos, com um pouco de boa vontade e alguma ciência, podem refazê-la ou propor outro modelo, enfim, estejam à vontade os “refutadores”.
A política, entretanto, não obedece a estatística, sei disso. Há o imponderável, fatos fortuitos, coisas nos armários, traições de véspera, declarações mal calibradas etc. Até o dia da eleição, é necessário, pois, que cada candidatura se aprimore no discurso e na defesa de seus programas de governo, se diferenciem e comuniquem-se com o eleitorado indeciso. Há ali uma margem de manobra, digo, de movimentação dos números.
O poder da máquina será crucial, determinante, como cogitam alguns analistas? Ouvimos por aí que agora, faltando 7 semanas, é que “a porca vai torcer o rabo” e a máquina vai funcionar. É mesmo? Não seria isso uma demonstração de desprezo ao TRE? Cadê o MP Eleitoral que não vê isso? Que máquina é essa que passa a funcionar e decidir as eleições sob as ventas das autoridades?
Por mais que devamos levar em conta o uso do poder político e financeiro em uma campanha eleitoral, é preciso saber que se trata de uma eleição estadual, em 2026, com meios e legislação cada vez mais disponíveis aos órgãos de controle. Não podemos – nem devemos – dar azo ou credibilidade aos que planejam abusar da grana, dos cargos que exercem e dos mecanismos do próprio Estado em favor de uma candidatura. Não é certo, não é permitido, é crime e não devemos votar em criminosos.
Valterlucio Campelo
Valterlucio Bessa Campelo escreve semanalmente nos sites AC24HORAS, DIÁRIO DO ACRE, ACRENEWS e, eventualmente, no site Liberais e Conservadores do jornalista e escritor PERCIVAL PUGGINA, no VOZ DA AMAZÔNIA e em outros sites. Seu último livro, o ensaio político-filosófico “O anel progressista: como o poder tutelar se torna invisível”, está à venda pela editora independente UICLAP.
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