Valterlucio Campelo: Nova pesquisa e o mesmo cenário. Alan se consolida

Em períodos eleitorais fervilham as pesquisas, cada uma com sua metodologia e credibilidade construída em anos de trabalho e resultados. A melhor forma, creio, de acompanhar os resultados e as tendências reveladas é escolher uma metodologia e, em consequência, os institutos que com ela trabalham. Considerando que a pesquisa presencial é a mais consolidada em comparação com telefônicas e web-pesquisas, escolhi o instituto DELTA como bússola. Além do método mais adequado, o instituto tem muitos anos de experiência e bons resultados. Sendo assim, contando com a pesquisa divulgada nesta terça-feira, temos a tabela abaixo, para governador, já com cinco edições com os quatro principais candidatos.

Tabela 1 – PESQUISAS DELTA (governador)

ColetaAlanMailzaBocalomThorBNNS/NR
16–21 mar40,36%20,78%15,60%2,68%3,68%16,30%
1–6 jun39,55%19,40%17,07%2,00%2,58%19,40%
27–30 jun41,25%19,25%19,50%2,50%4,00%13,50%
11–15 jul38,27%19,48%19,28%1,79%4,08%17,10%
4–9 ago38,17%25,15%14,02%3,48%3,08%15,50%

Traduzida em votos úteis (excluem brancos e nulos) e distribuindo os indecisos proporcionalmente aos decididos (baseline) – cada candidato recebe fração dos indecisos proporcional à sua participação entre os já decididos. Temos como na tabela abaixo.

Tabela 2 – Pesquisas DELTA (votos úteis)

ColetaAlan Mailza BocalomThor Outros
16–21 mar50,44%25,97%19,49%3,35%0,75%
1–6 jun50,68%24,86%21,89%2,56%
27–30 jun50,00%23,33%23,64%3,03%
11–15 jul48,56%24,72%24,47%2,27%
4–9 ago46,88%30,87%17,21%4,27%0,74%

A simples observação das tabelas permite tirar algumas conclusões: 

  1. Alan Rick mantém em seis meses uma cristalização da preferência (com uma leve diminuição na margem de erro), em torno dos 40%.
  2. Mailza Assis apresenta um leve crescimento recente que a tirou do empate técnico com Bocalom, mas não ao ponto de encostar no líder.
  3. Bocalom, que vinha resistindo, caiu além da margem de erro no último mês, se afastando da disputa real (abaixo da metade do primeiro colocado).
  4. O crescimento da Mailza se deu às custas do Bocalom – é praticamente igual ao decréscimo do ex-prefeito.
  5. O candidato da esquerda, Thor Dantas, patina à margem da disputa apesar de todo o empenho e exposição através da mídia.
  6. Mantendo-se estável, Alan Rick não conseguiu determinar uma chance plena de vitória no primeiro turno, embora a possibilidade não esteja totalmente afastada.
  7. As intensas movimentações de candidatos proporcionais e de vices não alteraram significativamente o quadro.

Com um pouco mais de acuidade, atualizei um modelo estatístico que propus anteriormente e obtive os seguintes resultados a partir do método Monte Carlo, com a “FORÇA” de cada candidato como prior (Bradley–Terry), com as três últimas ondas DELTA para nowcast e variância, e com matrizes de transferência calibradas. Isso me entregou as seguintes probabilidades pontuais com intervalo de confiança.

Tabela 3 – Probabilidades de vitória

Alan Mailza BocalomThor 
1º Turno14%ZEROZEROZERO
2º Turno85%17%< 1%ZERO

Fiz ainda a simulação de que em um segundo turno os votos de Bocalom e Thor migrem metade para cada candidato (Alan e Mailza). O modelo me entrega uma previsão de 58%-60% para Alan contra 42%-40% para Mailza. Isso é estatística. Todos, com um pouco de boa vontade e alguma ciência, podem refazê-la ou propor outro modelo, enfim, estejam à vontade os “refutadores”.

A política, entretanto, não obedece a estatística, sei disso. Há o imponderável, fatos fortuitos, coisas nos armários, traições de véspera, declarações mal calibradas etc. Até o dia da eleição, é necessário, pois, que cada candidatura se aprimore no discurso e na defesa de seus programas de governo, se diferenciem e comuniquem-se com o eleitorado indeciso. Há ali uma margem de manobra, digo, de movimentação dos números.

O poder da máquina será crucial, determinante, como cogitam alguns analistas? Ouvimos por aí que agora, faltando 7 semanas, é que “a porca vai torcer o rabo” e a máquina vai funcionar. É mesmo? Não seria isso uma demonstração de desprezo ao TRE? Cadê o MP Eleitoral que não vê isso? Que máquina é essa que passa a funcionar e decidir as eleições sob as ventas das autoridades?

Por mais que devamos levar em conta o uso do poder político e financeiro em uma campanha eleitoral, é preciso saber que se trata de uma eleição estadual, em 2026, com meios e legislação cada vez mais disponíveis aos órgãos de controle. Não podemos – nem devemos – dar azo ou credibilidade aos que planejam abusar da grana, dos cargos que exercem e dos mecanismos do próprio Estado em favor de uma candidatura. Não é certo, não é permitido, é crime e não devemos votar em criminosos.

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Valterlucio Campelo

Valterlucio Bessa Campelo escreve semanalmente nos sites AC24HORAS, DIÁRIO DO ACRE, ACRENEWS e, eventualmente, no site Liberais e Conservadores do jornalista e escritor PERCIVAL PUGGINA, no VOZ DA AMAZÔNIA e em outros sites. Seu último livro, o ensaio político-filosófico “O anel progressista: como o poder tutelar se torna invisível”, está à venda pela editora independente UICLAP.

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