Em pleno século XXI, como se fora na idade média, os brasileiros assistem impotentes ao horror de uma tortura por motivos políticos de um homem que sequer deveria ter sido julgado pelo Supremo Tribunal Federal (não tem prerrogativa de foro), por um crime impossível (os meios supostamente empregados não teriam condições de alcançar os resultados elencados), enfim, uma série de requisitos do devido processo legal constitucional foram dispensados para, a toque de caixa, prender um homem inocente de acordo com uma narrativa criada ao gosto do Lula da Silva: “Quando se quer derrotar o adversário, primeiro se cria uma narrativa”. O resultado aí está. Sim, Jair Bolsonaro está preso. O crime, nenhum, mas a narrativa foi consumada.
Não bastasse essa página negra da história brasileira, em que todo o sistema midiático, por anos seguidos, foi posto em ação contra um homem, repercutindo a versão única do concerto Executivo-Judiciário, auxiliado por influencers pagos e artistas rouaneristas sempre dispostos a devolver a gentileza cultura bilionária, e tendo como suporte a banca nacional, assistimos pasmados a lenta morte deste homem. Na praça pública do século XXI, vemos no patíbulo um homem sendo imolado, a cada dia literalmente sangrando sem que as autoridades lhe reconheçam o direito a um tratamento digno. O desiderato é sua morte, assim como a de Clezão, morto à míngua sob a tutela do Estado por falta de tratamento médico. O autor é reicindente.
Depois de receber uma facada desferida por um cão socialista e, sequelado, passar por cirurgias recorrentes, aos 70 anos de idade, este homem persiste em sua luta que agora é pela sobrevivência, mostrando a cada dia a perversidade de que são capazes os psicopatas no poder. Cada adoecimento de Bolsonaro revela o sadismo daqueles que escudados em uma caneta conseguida sem o voto popular, exoneram-se do dever de justiça e executam o justiçamento de quem ousou enfrentar o sistema podre que garroteia a nação há mais de 40 anos.
Enquanto isso, os escândalos se sucedem. Roubalheira do INSS, prejuízo das estatais, Banco Master, estouro da dívida, narcotráfico… tudo acontece acobertado pelo mesmo sistema. Cada um desses casos representa dezenas de bilhões de reais que escoam do suor brasileiro para os bolsos dessa gente paga secretamente em 129 milhões de reais por contrato advocatício. No Brasil de Lula da Silva III, a cifra milhões é troco. Como diria o incansável Ciro Gomes, negociata que não dá bilhão é negócio de botequim.
Até quando o Brasil suportará tudo isso? De que massa é feito o brasileiro que não indigna com essa situação? Por que não tomamos as ruas e expulsamos do poder essa canalha que voltou para saquear a nação? Não sei. Ninguém sabe. Talvez a melhor indicação seja a de Sérgio Buarque de Holanda (Raízes do Brasil, 1936) para quem o brasileiro é fundamentalmente o “homem cordial” — não no sentido de amável, mas como alguém cuja personalidade prevalece sobre a impessoalidade nas relações. Isso significa que o brasileiro prioriza laços pessoais, dificultando a modernização democrática e perpetuando práticas patrimonialistas (governar pelo favor pessoal, não por regras impessoais). Atualizando, significa um ser despolitizado, frouxo, facilmente convencido por favores e benefícios que sustentem sua vida porcamente vivida. Como na metáfora do escritor norte-americano Orson Scott Card, o brasileiro cercado por benefícios vota no homem do balde.
Em 2026, teremos a oportunidade de reverter tudo isso. O Sistema está em crise, hipertrofiou-se e não consegue mover-se com a mesma agilidade. Alcançado o propósito, seus criadores observam com estranheza o monstro que restou formado. Ele é ameaçador, truculento, desmedido, pode ser hostil, é preciso, pois, contê-lo nem que seja com perdas administradas. Teremos eleições para Presidente, Governadores, Senadores (2/3) Câmara Federal e Assembleias Estaduais em outro contexto, sem a participação do CIA de Biden, sem o controle enviesado das mídias sociais pelo TSE fraudulento e partidário. Teremos, talvez, eleições menos sujas, o que já é um alento.
Como cidadão que há 50 anos observa a política brasileira, de longe ou de perto, espero sinceramente que a vontade da maioria possa se manifestar livremente. Torço para que Jair Bolsonaro suporte a tortura e seja, ele mesmo, de onde estiver, um motor da mudança que o Brasil precisa se quiser sair do itinerário venezuelano. É urgente que o Brasil tome outro rumo e vire a página desse esquerdismo adolescente que ainda faz a cabeça de muitos jovens, e que não sai da mente de velhos sonhadores apegados a suas utopias, como cães de rua se agarram aos ossos jogados da mesa farta onde seus líderes se banqueteiam.




