A crise política que vivemos, com a supremacia inconstitucional do STF sobre os outros poderes, inclusive se dando o despudor de fazer leis e conter ou mover o executivo, fez surgir uma espécie de vassalagem que antes se mantinha na obscuridade. É o lambetogas, um tipo de sabujo para o qual “manda quem pode e obedece quem tem juízo”. É o típico escravo satisfeito com sua condição batendo palmas para o seu senhor.
Ao invés de refletir criticamente sobre as decisões judiciais, esses elementos, muitos deles na grande imprensa, simplesmente dão como sagradas as canetadas supremas, alistando-se com isso ao exército de servos voluntários a que se referiu Etienne de La Boétie há quase 500 anos. O problema dessa gente asquerosa é que a realidade se impõe e escancara os pés de barro dos tais infalíveis. Veja-se o caso recente dos ministros Toffoli e Dimorais, enredados com suas esposas em tramas para lá de duvidosas.
Em um país decente, em que o parlamento não fosse, ele mesmo, sócio da pilhagem que o governo de esquerda faz juntamente com seus aliados, a república teria caído de vez, ministros (no plural) teriam sofrido impeachment juntamente com o presidente e novas eleições, apuradas publicamente, teriam sido convocadas. Na rua, estariam livres, com seus processos todos anulados, os presos de 8 de janeiro, viraríamos essa página cor de piche (não pode mais dizer “negra”, hehehehe) da nossa história e tentaríamos reerguer o país com um estandarte de pacificação.
Infelizmente, não vemos isso no horizonte. A cada revelação, a cada descoberta de malfeitos, corresponde uma aposta dobrada. Como psicopatas no poder, eles jamais recuam, estão sempre dispostos a continuar em seu itinerário macabro de perseguição e vingança. Paralelamente, querem, como prometeram anteriormente, guiar o povo brasileiro, serem seus mentores, seus demiurgos no sentido platônico, dando forma ao nosso comportamento e ao funcionamento da sociedade. Tudo isso sobre uma prática nojenta, asquerosa, de vilipêndio do erário, de enriquecimento ilícito, de favorecimento de interesses privados. Desde o processo eleitoral, o Lula III transformou o Brasil e suas instituições em hospedeiras de toda sorte de bandidos que não poupam sequer os velhinhos do INSS.
Das estatais à COP30, das emendas parlamentares aos bancos e fintechs, não há onde se possa enfiar uma agulha sem ver explodir o pus da corrupção. Até onde isso será suportável? Por que o país não reage? perguntaria um estrangeiro em visita a este país de meu Deus. Tenta, mas está sendo esmagado por essas forças que, unidas, lavam mutuamente as mãos sujas.
Tomemos como exemplo a caminhada de 200 quilômetros que o deputado federal mineiro, Nikolas Ferreira, iniciou esta semana em direção à Brasília. Com a adesão de dezenas de políticos expressivos do cenário nacional, a fila foi aumentando e já reúne milhar de pessoas em seu quarto dia. Espera-se que uma multidão significativa se reúna em Brasília neste domingo para a chegada do grupo. É um fato político da maior relevância, um Acorda Brasil que está acendendo novamente o espírito de luta do brasileiro espezinhado, vítima desse governo de junta que desrespeita a Lei e brande uma chave de cadeia como símbolo de sua “força”. A nossa liberdade está constantemente ameaçada, somos levados a pensar várias vezes antes de nos expressarmos.
Do lado da imprensa acadelada, servil, vê-se a burrice de achar que se trata de uma tentativa de forçar a transferência de Jair Bolsonaro para seu domicílio. Não se trata disso, embora seja algo efetivamente devido. Aliás, os mesmos, cinicamente, alertam que assim o Dimorais “pode ficar mais zangado” e piorar as condições do preso. É ou não o suprassumo da servidão? Então, chegamos nesse ponto? A Lei, a realidade, as circunstâncias concretas perdem valor perante o humor do juiz? Isso merece reverência?
A caminhada que se encerra neste domingo, com a presença de dois parlamentares acreanos (Marcio Bittar e Coronel Ulysses) é um dos mais importantes gestos políticos dos últimos anos. Sua simbologia, independentemente de sua extensão ou densidade, remete aos melhores momentos da democracia brasileira, põe à mostra, inclusive com repercussão internacional, a mistura promíscua e deletéria de autoritarismo com perseguição judicial. A caminhada que, certamente, fere os pés dos caminhantes, tende a revelar os tumores purulentos do sistema que governa o Brasil e marca, no momento certo, um grito de liberdade.
Valterlucio Campelo
Valterlucio Bessa Campelo escreve semanalmente nos sites AC24HORAS, DIÁRIO DO ACRE, ACRENEWS e, eventualmente, no site Liberais e Conservadores do jornalista e escritor PERCIVAL PUGGINA, no VOZ DA AMAZÔNIA e em outros sites. Seu último livro “Arquipélago do Breve” encontra-se à venda através de suas redes sociais e do e-mail valbcampelo@gmail.com.



