Eduardo Bittar tinha 5 anos quando o chavismo deu as caras pela primeira vez na Venezuela. O menino dormia tranquilamente naquela madrugada de 4 de fevereiro de 1992, quando integrantes do Movimento Bolivariano Revolucionário-200 invadiram diversas instalações militares e o Palácio Miraflores, em Caracas. O objetivo do grupo, comandado por um desconhecido militar chamado Hugo Chávez, era derrubar o presidente Carlos Andrés Perez e tomar o poder no país. Eduardo foi acordado às 3h com gritos de “golpe”. “Com certeza deve ser um comunista”, disse o pai dele, Victor Bittar. “Querem derrubar o presidente.”
A tentativa de golpe foi frustrada e Chávez foi preso. O líder dos revolucionários reconheceu a derrota quando praticamente implorou aos comparsas para que parassem de matar pessoas nas ruas. A euforia naquela madrugada, que deixou mais de 100 mortos e feridos, nunca saiu da memória de Eduardo.
Embora Chávez tenha falhado no golpe, conseguiu assumir o poder democraticamente em fevereiro de 1999. A população estava cansada da corrupção e via naquele militar a solução para o país. Não demorou muito para perceber que o revolucionário, por meio de ideias socialistas e com o apoio do ditador cubano Fidel Castro, seria o responsável por levar pobreza e miséria ao país. Eduardo, então com 10 anos, passou a analisar melhor a política venezuelana.
Consequências da ditadura na Venezuela
Viu nos anos subsequentes famílias sendo destruídas, artistas deixando o país e a economia sendo dilacerada. Em 2007, começou a estudar engenharia mecânica na Universidade do Oriente, onde foi espancado por 20 alunos chavistas por se manifestar contra a ditadura. Seu pai sugeriu trocar de instituição, mas Eduardo decidiu defender as ideias de direita no mesmo lugar. Conseguiu unir um grupo de estudantes para fazer ativismo e atuou nas ruas de Caracas em manifestações até 2017, quando foi acusado pelo regime bolivariano de terrorismo. Precisou deixar o país naquele ano.

Atualmente, viaja por vários lugares para dar palestras sobre as consequências da ditadura. Com o apoio do estrategista norte-americano Roger Stone, se prepara para voltar à Venezuela e se candidatar à Presidência do país. A Oeste, Eduardo afirmou que a ditadura na Venezuela não foi derrotada e que a guerra contra o chavismo continua.
A seguir, os principais trechos da entrevista.
Como está a situação da Venezuela depois da captura de Nicolás Maduro?
O chavismo ainda continua forte na Venezuela. O regime trabalha para consolidar um modelo igual ao cubano. Os integrantes da ditadura não estão dispostos a sair. Delcy Rodríguez, a vice de Maduro, está no poder, e o regime deseja a situação que ocorre atualmente. Há uma ideia de que houve uma ameaça e que é necessário permanecer no poder. Se o presidente Trump não avançar nos próximos dois anos, a Venezuela vai ficar pior. A captura de Maduro não representa o fim. A guerra contra o chavismo continua. O presidente dos EUA não negocia para que os chavistas continuem e ele precisa, de fato, de um ator real que faça uma transformação no país, que garanta o retorno dos exilados.
O senhor trabalha para ser a figura política que mudará os rumos da Venezuela?
Faço o que posso pela liberdade de meu país. Entendo que a liberdade não vem sozinha. Tem de estar acompanhada de uma transição que traga ordem e justiça à Venezuela. Agradeço o apoio de pessoas como Jason Miller. Em meu país, deve haver uma transição provisória. Quem será o ator, acredito que minha equipe vai contribuir. Não porque os EUA o digam, mas porque somos o grupo que está mais disposto a trabalhar. Combatemos nas ruas por muitos anos. Fui qualificado como terrorista, porque fazia coisas que o regime não gostava. Coordenei diversas manifestações e vou continuar lutando pela liberdade.
Por que o senhor teve de deixar a Venezuela?
Chegou a um ponto que não podíamos continuar, porque todo o recurso internacional não era para nosso grupo. As doações de outros países eram para Leopoldo Lopez, Maria Corina Machado, Juan Guaidó e Henrique Capriles. Não tínhamos relações com partidos que apoiavam esses políticos. Nossos companheiros não morreram por defender um político, mas entregaram a vida por acreditarem na liberdade e porque queriam um país livre. Então tive de deixar o país e ir à Colômbia. Estive em 2017 com a equipe do ex-presidente Álvaro Uribe. Depois me disseram para vir ao Brasil. Ainda em 2017, fui ao Congresso, em Brasília, para discursar. Jair Bolsonaro, então deputado, e Eduardo Bolsonaro, estavam lá e vieram conversar comigo. Naquela oportunidade, começamos a fazer agendas e passei a viajar por vários países. Fui para os EUA e fiz contatos, inclusive com Olavo de Carvalho. Passei a participar de vários eventos da Conferência de Ação Política Conservadora e comecei a ter mais visibilidade política fora da Venezuela.
Quais são seus planos futuros?
Vamos nos alinhar com as ideias de Trump. Estamos nos reunindo com vários empresários do Brasil e da Suíça, que estão interessados sobre os assuntos futuros de meu país. A Venezuela tem feito alianças com o mal e agora é hora de alinharmos com pessoas do bem. Temos de levar a Venezuela a uma nova independência. Preciso ter apoio para libertar nosso povo.
O senhor acha que o chavismo vai continuar no poder depois da captura de Maduro?
Sim, a ditadura vai tentar costurar acordos e diminuir um pouco a agressividade. Também vai liberar alguns presos políticos, mas não acho que haverá um acordo para novas eleições, porque o chavismo ainda controla o Conselho Nacional Eleitoral. Trump capturou Maduro e alguns acreditam que o chavismo terminou. Isso não é verdade.
Qual é o sentimento da população venezuelana depois da captura de Maduro?
A população ainda se sente órfã. Trump fez uma operação que ninguém esperava e levou Maduro. Celebrei o triunfo de um combate, mas não celebrei a guerra, que ainda não terminou. Os venezuelanos estão interessados em alinhar uma força disruptiva com Trump. O presidente norte-americano precisa de estratégias. Está esperando uma alternativa. Enquanto a possibilidade não chega, é necessário alongar a estratégia. Enquanto isso, é preciso combater os grupos terroristas e as máfias. A prioridade hoje é colocar o chavismo para correr. Precisamos restaurar a Constituição que Chávez destruiu e recompôr a Carta Magna de 1811, a primeira do país depois da independência e que foi inspirada nas leis dos EUA. O que devemos fazer é atualizá-la e adaptá-la às necessidades de nosso tempo. O importante é ajudar Trump a fazer um trabalho perfeito para que a Venezuela seja livre. Se isso não ocorrer, o chavismo vai prevalecer. Os integrantes da ditadura devem sentir medo e sair da Venezuela como ratos.



