Guerra no PSDB

Vereador tucano ameaçado de expulsão rebate acusações da direção do partido

A atmosfera política anda bastante carregada no ninho tucano. A notícia veiculada dias atrás, sobre a possível expulsão dos vereadores rio-branquenses Clézio Moreira e Célio Gadelha, não ficou sem resposta. Clézio reagiu com o fígado ao insinuar que se há alguém infiel no partido, não seria ele.

No centro do conflito está a acusação de que os dois parlamentares municipais não apoiaram a candidata e hoje deputada federal Mara Rocha nas eleições do ano passado.

“Apoiei o (Major) Rocha para deputado federal e o Marcio Bittar para governador, em 2014. Coloquei estrutura pessoal à disposição da campanha. Prometeram para mim que eu seria prioridade do partido na eleição de 2016. Mas a única ajuda que eles me deram foi mil reais e uma quantidade insignificante de material gráfico”, diz o vereador.

Vereador diz que só deixará o partido “Pela porta da frente”/Internet

Ele acrescenta que para João Paulo, filho do atual senador Marcio Bittar (MDB), a ajuda do partido teria sido ‘absurdamente maior’.

Em entrevista ao Diário do Acre, Clézio disse que o atual presidente em exercício do PSDB, Manoel Pedro de Souza Gomes, o Correinha, lhe teria dito que ‘ficasse tranquilo’ quanto ao processo de expulsão.

“Ele me falou que eu não era o alvo, e que permaneceria no partido. Mas agora mudou a conversa, e diz por onde passa que irá me expulsar, que a decisão da direção estadual tucana é de não ter nenhum vereador na capital e no interior. Que todos serão expulsos”, afirmou.

Dizendo-se excluído desde 2014 dos eventos partidários, inclusive das reuniões, o vereador atribui o fato à vitória de Rocha na disputa para a Câmara Federal, nas eleições de 2014, e à derrota de Bittar ao governo do estado, no mesmo ano.

“Cansei de ligar para o Rocha. Ele nunca me atendeu, e tampouco retornou as ligações”, reclamou Clézio Moreira

“Não sou bandido”

Segundo o vereador tucano, nas eleições passadas ele abraçou a campanha do irmão a deputado federal. A decisão teria revoltado o atual vice-governador do Acre, Major Rocha, e seus seguidores.

“Até posso sair do PSDB, mas pela porta da frente. Não sou nenhum bandido para ser expulso”, concluiu Clézio Moreira.

Boi na linha  

Filiado de longa data do PSDB acreano concordou em falar com a reportagem sob a condição de que seu nome seria preservado. Segundo ele, a verdadeira intenção da direção da legenda seria facilitar a montagem de uma chapa para concorrer à Câmara de Vereadores de Rio Branco. E isso, claro, seria bem mais fácil sem a presença de Clézio Moreira e Célio Gadelha no partido.

Como nas eleições de 2020 as coligações partidárias não serão mais permitidas, a briga será na base do cada um por si. A presença de dois vereadores no PSDB certamente afastaria pretensos candidatos com chances de vitória.

O outro lado

Por telefone, o presidente da executiva tucana rebateu com veemência as declarações de Clézio Moreira.

“Esses dois vereadores só estão no partido porque precisam de uma legenda para se candidatar. Não têm compromisso algum com as diretrizes partidárias, não têm vida orgânica e não participam de nada. Acho que o vereador Clézio Moreira nem sequer sabe o endereço do próprio partido”, alfinetou Correinha.

Correinha: “Clézio nem deve saber o endereço do partido”/Internet

Questionado sobre as declarações do parlamentar da capital sobre o tratamento diferenciado dado ao filho de Marcio Bittar, Correinha lembrou que o atual senador do MDB sempre teve um bom trânsito com a executiva nacional do PSDB em Brasília. E que o apoio recebido por João Paulo teria decorrido do aporte de recursos vindos de lá.

“Tudo de forma legal e aprovada pelo TRE (Tribunal Regional Eleitoral do Acre)”, afirmou Correinha.

Sobre a atuação do vereador na Câmara, Correinha disse ser a mesma que ele tem no partido. “Ou seja: nenhuma!”.

Célio Gadelha não foi encontrado/Internet

O representante do diretório estadual do PSDB mandou, por meio deste portal, um duro recado aos dois vereadores de Rio Branco: se permanecerem no partido, não terão legenda para disputar as eleições de 2020.

“Nós, do PSDB, não temos o menor interesse em manter esses dois vereadores como filiados”, concluiu Correinha.

A reportagem do Diário do Acre tentou seguidas vezes contato com o vereador Célio Gadelha, mas até a publicação desta reportagem ele não havia sido encontrado.