Coluna Você sabia?

Você sabia que Pablo Escobar pode ter tentado comprar o Acre?

Você sabia que Pablo Escobar pode ter tentado comprar o Acre?

O que você faria se tivesse muito dinheiro? Tanto dinheiro a ponto de precisar gastar cerca de quatro mil dólares por mês só com elásticos para prender os bolos de notas? Ou em uma cabana fria poder queimar dois milhões de dólares em uma fogueira só para manter sua filha aquecida? Essa era a realidade de Pablo Emilio Escobar Gaviria. Nascido na Colômbia em 1949, Pablo descobriu no tráfico de cocaína uma fonte de renda muito lucrativa e de rápido retorno, se tornando em pouco tempo um dos homens mais ricos do mundo, segundo a revista Forbes, e o mais famoso narcotraficante da história.

Temido, poderoso e ambicioso, as histórias sobre Pablo Escobar são muitas, mas uma em particular me chamou a atenção. Estive recentemente na Colômbia e entre as belezas desse lindo país está um povo muito gentil e hospitaleiro, sempre rendendo um bom papo. Foi numa dessas conversas que, ao responder de que parte do Brasil eu estava vindo, me surpreendi com o comentário: “Acre? Já ouvimos falar, em Caquetá se fala muito que quase virou uma Escobarlândia”. É claro que isso chamou bastante minha atenção, até descobrir que existe uma história muito conhecida em partes da Colômbia, segundo a qual Pablo Escobar teria tentado negociar com o governo brasileiro a compra de um dos seus estados, ou parte dele, para fazer dele seu próprio país – e dizem que esse estado seria o Acre.

Escobar, no auge, ganhava 420 milhões de dólares por semana/Montagem

A informação é de que o fato curioso havia sido revelado por Roberto Escobar Gaviria, irmão do traficante e na época chefe de logística do Cartel de Medellín. A escolha pelo Acre não teria sido em vão, pelo fato de o estado fazer fronteira com o Peru e a Bolívia, maiores produtores de cocaína do mundo, o que melhoraria a logística do negócio e também por sua proximidade com a Colômbia, trajeto que seria rapidamente feito pelos aviões particulares de Escobar. Além do mais, na época era uma das regiões menos habitadas da América do Sul e a sua imensa quantidade de floresta seria perfeita para abrigar e esconder muitos laboratórios de cocaína. A ideia teria surgido após a “cidade” de Tranquilandia – uma imensa extensão de terra em meio à selva colombiana que servia como laboratório de drogas do cartel – ser destruída pelas autoridades locais. Escobar então teria decidido fundar seu próprio país, onde estaria acima da jurisdição de suas próprias leis, o que faria com que ele mesmo tornaria seu negócio legal perante sua constituição e deixaria de ser um criminoso dentro de seu território.

Escobar teria tanto dinheiro assim?

No auge de suas atividades no tráfico, Escobar chegava a faturar cerca de 420 milhões de dólares por semana. Se lembrarmos que estamos falando dos anos 80, dá para ter uma noção que essa era uma quantia inimaginável para a época, o que faz sim ser possível, em termos financeiros, essa compra. Mas precisaria que o governo brasileiro tivesse aceitado a oferta, o que dificultaria no lado burocrático. Vale ressaltar que não há indício nenhum de que o Brasil tenha pelo menos recebido uma oferta desse tipo. Também vale lembrar que Pablo Escobar não foi o primeiro a ter a ideia de comprar o Acre. Algumas décadas antes, o Brasil compraria essas mesmas terras da Bolívia e entre o acordo no Tratado de Petrópolis estava o valor de 2 milhões de libras esterlinas, o que na cotação de hoje estaria em torno de um pouco mais de 10 milhões de reais.

Como seria se a compra tivesse dado certo?

Provavelmente Escobar não compraria o estado todo, já que Rio Branco era uma capital em desenvolvimento, com patrimônios que elevariam muito o valor do negócio, e o foco para seu objetivo seria mais a região onde hoje está o Vale do Juruá. Assim poderia migrar a população que estava vivendo ali para a outra parte, deixando somente os cidadãos de Escobarlândia, que em sua maioria seriam produtores de coca, trabalhadores dos laboratórios e a elite que comandaria tudo. Mas como nem tudo são flores e não podemos esquecer que o ramo de atividade do “país” seria ilegal em todo o resto do mundo, não demoraria muito para que uma crise começasse, já que na Colômbia pouco depois do auge de Pablo Escobar, começou o seu declínio e ele foi caçado por todo o país, se tornando um dos homens mais procurados do mundo, tendo o governo dos EUA feito muita pressão em cima do governo colombiano para sua prisão e extradição.

Se tivesse seu próprio país, provavelmente Pablo Escobar sofreria uma sanção internacional, que são ações usadas pela ONU como forma de expressar desaprovação e punir governos de outros países, a fim de atingir um objetivo político ou comercial. Essas sanções, diplomáticas ou militares, poderiam fazer com que os EUA procurassem apoio dos países vizinhos para invadir o território, já que além da atividade ilegal, Escobarlândia teria sua atividade financeira toda girando em torno do dinheiro que viria dos EUA, desestabilizando um pouco a economia norte-americana. E mesmo que Pablo reforçasse muito bem o seu exército, é pouco provável que teria qualquer chance de continuar existindo após a invasão militar, o que nos leva a uma outra questão: o que seria feito com o Acre após a queda de Pablo Escobar?