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Workaholic: Você sabe o que é? Fique atento, você pode ser um

Workaholic é uma gíria em inglês para definir uma pessoa viciada em trabalho. Um trabalhador compulsivo e dependente de trabalho. Eles sempre existiram, mas nunca em um número tão elevado como atualmente. Os workaholics estão se tornando um fenômeno mundial. E o assunto merece a nossa atenção.

Podemos definir como workaholic aquela pessoa que dá prioridade ao trabalho acima de todas as outras coisas. Que só se motiva por meio das suas conquistas profissionais. Workaholic, é aquele cara que estrutura a sua vida em torno do trabalho e quando não está sob a pressão e estresse gerados pela vida doentia que leva, sente um enorme vazio.

E isso acontece, geralmente, porque ele não reservou um tempo para seus hobbies, família, leitura, etc… Não se sente parte de nenhum outro papel. Só o do profissional.

As pessoas que sofrem desse distúrbio geralmente trabalham mais de 12 horas por dia e quase sempre ainda levam serviço para casa. O Workaholic é aquela pessoa que sempre recebe críticas por ficar o tempo todo de olho no celular, checando se existe alguma nova mensagem ou se ficou alguma pendência do trabalho para resolver em casa. Os filhos, marido, esposa, namorado, namorada, animais de estimação, academia, um livro, cinema, pipoca… Nada disso tem, para essas pessoas, a importância que tem o trabalho.

O argumento comumente usado por um workaholic é “que está trabalhando demais, para o bem e o futuro dos filhos”. Entenderam agora a total inversão de valores? Para eles, o amanhã é mais importante que o hoje e o trabalho mais importante que o convívio, que a companhia. Quando alguém consegue, depois de muito sacrifício, levar essa pessoa ao cinema ou até mesmo para um despretensioso tacacá no final de um dia de trabalho, é para ela um sacrifício. Uma obrigação. Nunca um prazer. E o indefectível celular, sempre a tiracolo, à frente de tudo e de todos. No fim, ninguém se diverte. A família não tem sua presença de corpo e alma e ela perde alguns “preciosos” minutos de trabalho. Um suplício!

Trabalhar longas horas por dia e ser bem remunerado por isso é considerado, por alguns, sinônimo de sucesso. Portanto, ser chamado de workaholic, um elogio. O problema é quando o desejo obsessivo de trabalhar se sobrepõe a todo o resto, por exemplo, saúde, relacionamentos, família e até mesmo qualidade de trabalho.

E essa compulsão tem levado muita gente aos consultórios de analistas e a grupos de autoajuda. E o pior: pode matar! Um estudo do governo japonês apontou que dois em cada dez trabalhadores do país corre risco de morte por excesso de trabalho. E não se trata apenas de um problema nipônico. Em 2016, o Workaholic Anônimos (WA), um programa baseado no método dos “12 passos” dos Alcóolicos Anônimos, realizou sua primeira reunião internacional no Reino Unido, com a presença de pessoas do mundo todo.

O vício em trabalho ainda não consta na CID (Classificação Internacional de Doenças) e há poucas pesquisas estudando como ele se desenvolve. Mas, segundo pesquisa

realizada pela Internacional Stress Management Association, o worhaholic tem 65% mais chances de desenvolver doenças cardíacas do que as outras pessoas.

A psicóloga Ana Maria Rossi explica que, por negligência com a saúde, em decorrência do vício em trabalho, muitos workaholics apresentam taxas altíssimas de glicose e registros de pressão alta. Segundo ela, o estilo de vida dessas pessoas fica muito comprometido, pois elas se tornam sedentárias, comem no próprio trabalho e não dão importância ao repouso. E isso leva a várias doenças.

Se uma pessoa está caminhando devagar na frente de um workaholic, ele fica impaciente e dá até cutucão para mostrar que ali não é lugar para andar devagar. Diante da porta automática, ele empurra, na escada rolante, quase ‘galopa’ para ir mais rápido. São impacientes ao extremo. Esperar o elevador chegar é quase uma tortura.

Via de regra, o workaholic não procura ajuda, a não ser que desenvolva um sério problema de saúde ou haja risco de separação matrimonial. Para Roberto Shinyashiki, médico psiquiatra e especialista em administração de empresas, conversar com alguém e “se abrir” é muito importante.

Apesar de o vício em trabalho ser altamente prejudicial à saúde, especialistas alertam que nem todo mundo que trabalha excessivamente é necessariamente um workaholic. Existe o viciado e o apaixonado. Os dois trabalham muito. A diferença é que o viciado, ao contrário do apaixonado por trabalho, não consegue criar vínculos afetivos. Tudo gira exclusivamente em torno do trabalho. Não consegue desligar e nem se distrair. Para Shinyashiki, há fases na vida que é preciso deixar a vida social de lado para se concentrar em um trabalho ou um projeto. E isso é perfeitamente normal.

O problema se dá quando a pessoa não consegue nunca apertar o off, viver a vida. Entender que existe vida útil e interessante além do trabalho. Eu conheço várias pessoas assim. E você?

Por hora, vou apertar o botão do off. Um forte abraço e até a semana que vem.