Zema reage a Gilmar: ‘Serviu a carapuça’

O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) fez uma publicação na manhã desta segunda-feira, 20, em reação ao pedido de Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), para que ele, Zema, seja incluído no Inquérito das Fake News.

“Se um teatro de fantoches é visto como ameaça por Gilmar e Moraes, é sinal de que a carapuça serviu”, afirmou no X. “Os ministros não gostaram da nossa série ‘os intocáveis’. Beleza. Mas me processar por isso? O humor é usado pra criticar o poder desde que o mundo é mundo.”

Gilmar, na representação enviada ao colega Alexandre de Moraes, relator do Inquérito das Fake News, pede investigação de supostos indicios de crime em uma sátira publicada nas redes sociais por Zema.

O vídeo postado pelo político mineiro retrata uma conversa entre dois bonecos, caracterizados por desenhos de fantoches, que representariam Dias Toffoli e Gilmar Mendes. No video, Toffoli telefona para Gilmar e pede a ele que anule as quebras de sigilo de sua empresa, aprovada na CPI do Crime Organizado do Senado.

Com um diálogo marcado por ironias e caricaturas, Gilmar responde que anularia as quebras e pede em troca uma cortesia no resort Tayaya, no qual Toffoli possuía participação acionária.

A sátira se baseia no fato de que Gilmar Mendes efetivamente proferiu decisão que anulou as quebras de sigilo da Maridt. Essa é a empresa de Toffoli e dos irmãos do ministro, que recebeu aportes de um fundo de investimento ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro, como mostrou o Estadão.

Na representação enviada a Moraes, Gilmar escreveu que a sátira “vilipendia não apenas a honra e a imagem deste Supremo Tribunal Federal, como também da minha própria pessoa”.

Moraes, diante do pedido de Gilmar, pediu uma manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) antes de decidir sobre a inclusão de Zema no inquérito.

Críticas de Zema ao STF

Nas últimas semanas, Zema endureceu o tom contra o STF em discursos públicos. Em um evento em 13 de abril, o mineiro afirmou: “O STF era um lugar que nós tínhamos uma certa confiança, mas já estava cheirando mal há alguns anos. Agora, realmente, aflorou toda a podridão que está lá dentro”.

No lançamento de seu programa de governo, no dia 16, ele disse que, caso fosse eleito presidente da República, iria “propor ao Congresso um novo Supremo”.

Zema e Gilmar chegaram a protagonizar um embate público. Diante da série de críticas, Gilmar lembrou nas redes sociais que o ex-governador de Minas havia acionado o STF para adiar o pagamento de parcelas da dívida estadual com a União.

Zema rebateu publicamente: “Ele deu uma decisão favorável a Minas Gerais, e agora descobri que foi um favor para eu ser submisso a ele pelo resto da vida.”

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