‘Difícil, cada um tem seus interesses’, diz Valdemar sobre alinhamento com Kassab

Líder do PL disse que vai conversar muito com presidentes de outras siglas para ter apenas Flávio enfrentando Lula no primeiro turno.

O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, reconheceu a dificuldade de alinhamento com Gilberto Kassab, líder do PSD, diante da decisão do partido de não abrir mão de lançar um candidato próprio à Presidência da República.

À reportagem, o líder do PL disse que “é difícil, cada um tem seus interesses”, mas complementou: “Ainda vamos conversar muito!”. A divergência ocorre após Valdemar defender que, no primeiro turno das eleições, apenas dois nomes estivessem na disputa: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Os motivos de Valdemar

Para Valdemar, a concentração de candidaturas seria uma forma de evitar a fragmentação do eleitorado e fortalecer uma alternativa competitiva ao atual governo desde a largada do processo eleitoral. A estratégia, no entanto, esbarra na posição do PSD, comandado por Gilberto Kassab, que avalia ser fundamental ter um nome próprio na corrida presidencial como forma de afirmar o peso político da legenda e ampliar seu poder de negociação no cenário nacional.

O PSD é hoje uma das siglas mais relevantes do Congresso e ocupa espaços estratégicos em administrações estaduais e no governo federal. Internamente, a leitura é de que abrir mão de uma candidatura presidencial logo no primeiro turno significaria reduzir protagonismo e influência em um momento decisivo de reorganização das forças políticas.

Valdemar, por sua vez, admite que a construção de um consenso será complexa, diante dos interesses distintos dos partidos envolvidos.

Impasses na direita

A fala evidencia que, apesar da disposição para o diálogo, ainda há um longo caminho até uma eventual convergência no campo da centro-direita. O impasse também reflete a ausência de uma definição clara sobre o desenho da oposição para a próxima eleição presidencial, especialmente em um contexto de polarização e de disputas internas por espaço e protagonismo.

Enquanto o PL aposta na simplificação do cenário eleitoral desde o primeiro turno, o PSD mantém a estratégia de atuar com autonomia, apostando que a força política da legenda pode ser decisiva na definição dos rumos do segundo turno e na formação de futuras alianças. E Kassab garante que ainda não tem um preferido entre os governadores Ratinho Jr, Eduardo Leite e Ronaldo Caiado.

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