Eu já havia lido a obra “Vida de Cristo”, de Fulton Sheen. É a principal obra do Venerável Arcebispo, cujo processo de santificação se encontra em marcha. A obra foi escrita no auge da Guerra Fria e é considerada a biografia definitiva de Jesus. Recomendo!
Fiquei de tal forma encantada pelo estilo do Arcebispo Fulton Seheen, que já fiz leitura de outras obras suas. No momento me preparo para fazer a leitura de sua autobiografia (Tesouro em Barro), escrita no final de sua vida, em que passava por intensos sofrimentos físicos. Reflete sobre sua vida e vocação sacerdotal.
Por sugestão do Padre Paulo Ricardo de Azevedo (que sigo nas redes sociais), adquiri e acabo de ler do autor acima mencionado, o livro “VERDADES ETERNAS QUE FALAM À ALMA). Li com imenso prazer. Senti-me espiritualmente confortado. Terminei a leitura faz dois dias.
O penúltimo capítulo do livro, cujo título é “AOS SOLDADOS AMERICANOS – OS CENTURIÕES DE ROMA, me fez estabelecer um paralelo com a atitude de um general brasileiro que ficou bastante conhecido pela sua atuação no dia 08 de janeiro, e que depôs na CPMI para apurar aqueles fatos que estão gravados em nossa memória política.
Ao decidir fazer um paralelo sobre o que Fulton Sheen diz do papel de centuriões romanos nos Evangelhos, quando exerciam suas atividades num país inimigo, com o desempenho de um militar brasileiro (Dutra), ouvi o vídeo da CPMI do 08 de janeiro, no momento em que o Senador Jorge Seif (PL-SC), indaga, chorando, o General Gustavo Henrique Dutra de Meneses sobre a sua atuação.
O que Fulton Sheen diz sobre o que é a vocação dos oficiais, tem absoluta pertinência com a realidade brasileira, especialmente com aquele lamentável episódio da prisão de mulheres, crianças e idosos, presos, supostamente porque estavam cometendo uma tentativa de golpe de Estado.
Fulton Sheen estava falando para oficiais da “West Point”, que é a famosa academia militar do Exército dos Estados Unidos (United States Military Academy), fundada em 1802 e que está localizada no Estado de Nova York, que dista 80 km de Nova York. Treina os jovens para vida militar como oficiais.
Já no preâmbulo de sua fala diz da sua admiração pela tradicional academia militar, e já aponta para qual é seu papel na vida daquele importante país, baluarte da liberdade e da democracia. Diz o Venerável: “Como americano, adoro West Point. Adoro porque vocês são um dos últimos bastiões da ordem e da disciplina nos Estados Unidos”.
O sentimento que Fulton Sheen revela pela academia militar americana (United States Military Academy), nessa palestra para oficiais, não é exatamente o mesmo sentimento que o povo brasileiro, até o 08 de janeiro, sentia pelas nossas Forças Armadas? Acho que sim. Até então, esse era o sentimento do povo brasileiro.
Continuando e ainda fazendo introdução de sua palestra para os oficiais americanos, ele revela um dado histórico que eu desconhecia. Informa que, na decadência das civilizações – ele fala de 22 civilizações que decaíram – a última instituição a decair foi o exército. O dado interessante é que, ele como religioso, não diz que a última instituição a decair tenha sido a instituição religiosa. A última foi o EXÉRCITO. O que é uma glória para essa instituição.
Não vou destacar todos os centuriões romanos, citados nos Evangelhos, cujas condutas morais foram elogiadas pelo Venerável. Cito alguns, mas que são exemplos frisantes de como se deve portar um oficial em relação ao seu povo. Ou até mesmo com relação ao inimigo, que era o caso dos oficiais romanos na Judeia, um povo subjugado e conquistado.
Fulton Sheen afirma, peremptoriamente, que o único grupo, universalmente elogiado nos Evangelhos, são os dos oficiais do exército. Algo extraordinário! Ele confirma isso pelos exemplos de centuriões, cujos nomes foram citados nos 04 (quatro) Evangelhos.
O primeiro centurião que Fulton Sheen cita é aquele que estava em Cafarnaum por ocasião do Ministério de Jesus, cujo testemunho de fé se cita todos os dias na Santa Missa: “Senhor, não mereço receber-te debaixo do meu teto. Mas dize apenas uma palavra, e o meu servo será curado”.
Lembra o autor da conferência que esse oficial estava num país conquistado. Diz o autor que os romanos eram mais odiados pelos judeus do que os russos nos países conquistados. Mas esse oficial romano era amado pelos judeus. Diz a Bíblia que ele chegou a construir uma sinagoga para os cidadãos do pais conquistado por Roma. Foram oficiais judeus que foram ao encontro de Jesus para interceder pelo oficial romano.
O segundo oficial romano (Centurião), cujo nome está registrado no livro dos Atos dos Apóstolos, é Cornélio. O livro dos Atos registra que Cornélio dava esmola aos pobres. Cornélio seguia o ritual de orações dos judeus. Seguia o horário das orações do povo conquistado.
Cornélio tem uma visão e solicita que São Pedro compareça em sua casa. Pedro era judeu e não podia, legalmente, segundo o judaísmo, entrar na casa de um não judeu. A casa de um gentio. Mas, diz a Bíblia que Pedro foi e converteu Cornélio. Cornélio torna-se o primeiro não judeu a se tornar católico.
Vou registrar, literalmente o que foi dito sobre esse oficial romano na obra acima citada (VERDADES ETERNAS QUE FALAM À ALMA): “Que honra para os Soldados! De todas as pessoas no mundo que o Senhor poderia ter escolhido para ser a primeira a ser recebida na Igreja e para ser o início da conversão dos gentios, a primeira que Ele escolheu não foi um filósofo, não foi um médico, não foi um advogado, não foi uma pessoa comum. Foi um oficial militar! ”.
Um outro exemplo de um oficial romano citado, cujo caráter merece destaque, é Cláudio Lísias. Não esquecer que ele, o oficial, exercia sua atividade num país conquistado. São Paulo quase foi linchado, supostamente por ter introduzido um gentio no Templo. Quem o protege? O oficial romano.
O sobrinho de Paulo comparece perante esse oficial e dar-lhe a informação de que os judeus se preparavam para assassiná-lo. O que faz o militar? Organizou duzentos cavaleiros, setenta lanceiros e setenta outros homens armados, dar um cavalo a Paulo e o leva para Cesárea onde o coloca sob a proteção de Roma.
Uma delegação de judeus vai a Cesárea acusar Paulo. O juiz do caso (um juiz!!!!), se prepara para mandar açoitar Paulo. Paulo diz que é um cidadão romano. Nessa hora o oficial intervém. Num diálogo em grego com o preso, o oficial toma conhecimento de que Paulo é um cidadão romano.
Ao tomar conhecimento que Paulo é um cidadão romano, o oficial faz a seguinte pergunta: O que você deseja? Diz Paulo: Apelo para César. Isto é, não confiava nos juízes judeus, seus concidadãos. O oficial garante-lhe o devido processo legal. Diz o oficial: “Muito bem, você irá para César!
Paulo chega a Roma e é colocado na prisão Marmentina, a mais antiga de Roma, situada no Forum Romano. Uma prisão rigorosíssima! Se destinava aos prisioneiros de Estado, que aguardava a morte. Pois bem, nessa prisão, com todo esse rigor, um oficial (Centurião), garantiu a Paulo o direito de pregar o Evangelho.
Em conclusão disse Fulton Sheen sobre o papel dos oficiais: “Vocês pertencem a um grupo especial. Vocês são os guardiões da civilização, vocês são os guardiões da religião e da moralidade. Essa é sua missão”.
Pois bem! À luz do que disse o Venerável Fulton Sheen sobre o papel do Militar, pensemos a realidade atual brasileira! Como tem agido nossas instituições na preservação da ordem e da civilização.


