Com oferta restrita e pastagens favorecidas, boi gordo mantém alta e produtor sustenta preço da arroba

Pastagens favorecidas fortalecem poder de venda do pecuarista e pressionam escalas da indústria.

O mercado físico do boi gordo encerra fevereiro mantendo o viés de alta iniciado ainda em janeiro, sustentado principalmente pela oferta restrita de animais terminados e pelas boas condições das pastagens no Centro Norte do país. Com o capim favorecendo o ganho de peso, o pecuarista não precisa acelerar vendas, o que amplia seu poder de barganha.

Levantamento da consultoria Safras & Mercado aponta que as negociações voltaram a ocorrer acima da referência média, refletindo a dificuldade das indústrias frigoríficas em alongar suas escalas de abate. Segundo o analista Fernando Henrique Iglesias, a restrição de oferta mantém as programações encurtadas, girando entre cinco e seis dias úteis na média nacional, evidenciando um mercado ajustado.

As chuvas seguem beneficiando as pastagens no Centro Norte, permitindo ao produtor cadenciar a liberação dos lotes. Outro fator relevante é o bom desempenho das exportações neste início de 2026, que contribui para sustentar os preços mesmo diante de incertezas no consumo doméstico.

A análise de mercado indica que o movimento positivo é diretamente influenciado pelas condições climáticas favoráveis. Com pasto verde e oferta controlada, o produtor retém estrategicamente a boiada na fazenda, vendendo de forma gradual e pressionando a indústria frigorífica.

De acordo com a Agrifatto, as escalas de abate estão ainda mais apertadas, limitadas a até quatro dias úteis na média nacional. Esse cenário reforça a dependência das indústrias em relação à decisão do pecuarista sobre o momento da venda.

Em São Paulo, principal praça de referência, a arroba já superou o patamar de R$ 355, com negócios pontuais mirando R$ 360 por arroba. Em outras regiões, os preços médios são de R$ 334,64 em Goiás, R$ 339,41 em Minas Gerais, R$ 334,09 no Mato Grosso do Sul e R$ 332,23 no Mato Grosso.

No mercado atacadista, os preços também apresentaram firmeza ao longo do dia 25, com o quarto traseiro cotado a R$ 26,50 o quilo, o dianteiro a R$ 20,00 e a ponta de agulha a R$ 19,50. Apesar disso, há expectativa de maior resistência na próxima semana, diante de consumo interno ainda enfraquecido e da concorrência com proteínas mais competitivas, como o frango.

Na B3, os contratos futuros acompanharam o movimento de valorização. O vencimento abril de 2026 encerrou cotado a R$ 352,60 por arroba, com alta de 0,73%, sinalizando que o mercado segue precificando oferta ajustada no curto prazo.

O cenário reforça um padrão clássico do ciclo pecuário. Em momento de oferta controlada e pastagens favorecidas, o poder de negociação migra para dentro da porteira. Com exportações firmes e capim sustentando o ganho de peso, o produtor mantém margem para negociar melhor.

A grande dúvida agora é até que ponto o consumo interno dará sustentação aos preços e se o ritmo das exportações continuará forte nos próximos meses. Por enquanto, o mercado deixa claro que quem tem boi pronto e pasto verde segue ditando o ritmo e o preço da arroba no Brasil.

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