Energia solar avança sobre lavouras e transforma o agro em celeiro de energia limpa

Paraná e Mato Grosso do Sul lideram expansão no campo, impulsionando renda, tecnologia e segurança energética nas propriedades rurais.

A paisagem rural do noroeste do Paraná começa a mudar. Onde antes predominavam lavouras de soja e áreas de pastagem, agora surgem fileiras de painéis fotovoltaicos. O agronegócio brasileiro, historicamente ligado à produção de alimentos e fibras, passa a assumir também protagonismo na geração de energia limpa. Em Paranavaí, o produtor Mauro Dias Lima decidiu arrendar parte da propriedade para a instalação de uma usina solar. A produção de energia passou a dividir espaço com a atividade agrícola tradicional, ampliando as fontes de renda no campo.

O movimento não é isolado. O Paraná consolidou-se como o terceiro maior produtor de energia solar do Brasil, respondendo por 8,7% da geração nacional, segundo a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica. O estado fica atrás apenas de São Paulo e Minas Gerais, reforçando o avanço consistente da matriz solar na região Sul.

De acordo com Liciany Ribeiro, diretora executiva da entidade, o noroeste paranaense se destaca pela concentração de usinas, favorecida pelo clima e pela proximidade com redes de distribuição. Investidores constroem as usinas e comercializam a energia com cooperativas, o que torna o modelo viável e amplia o acesso a energia mais barata. Desde 2012, o setor movimentou mais de R$ 15,2 bilhões no estado e gerou cerca de 99 mil empregos diretos e indiretos.

Em Mato Grosso do Sul, o cenário também é de forte expansão. Levantamento da startup 77Sol aponta que o estado lidera o ranking nacional de adoção da geração solar distribuída. O avanço está diretamente ligado ao agronegócio, especialmente em cadeias produtivas que dependem de fornecimento constante de energia elétrica.

Produtores de leite, suínos e aves enfrentam oscilações frequentes na rede elétrica, o que pode gerar prejuízos. A energia solar associada a sistemas de armazenamento garante estabilidade e reduz perdas, além de minimizar impactos provocados por tarifas elevadas. Em regiões rurais, onde o custo da energia costuma ser mais alto, o sistema fotovoltaico se torna ainda mais atrativo.

Com o crescimento da geração no campo, tecnologias mais avançadas ganham espaço. Os sistemas híbridos, que combinam placas solares, baterias e inversores inteligentes, permitem armazenar a energia excedente produzida durante o dia para uso noturno ou em períodos de baixa geração. Essa solução reduz a dependência da rede elétrica e elimina a necessidade de geradores a diesel, aumentando a eficiência e a sustentabilidade das propriedades.

O movimento acompanha uma tendência global. Países como a Alemanha ampliaram significativamente sua capacidade de armazenamento de energia, enquanto dados internacionais indicam forte queda no preço das baterias nos últimos anos. A expectativa é de crescimento expressivo no mercado de inversores híbridos no Brasil, com avanço contínuo na adoção de baterias de lítio até o fim da década.

A substituição de áreas antes destinadas à soja e pastagens por usinas solares simboliza uma nova etapa do agronegócio brasileiro. O campo deixa de ser apenas produtor de alimentos para se tornar também produtor de energia limpa, agregando renda, estabilidade operacional e protagonismo na transição energética. A energia solar passa, assim, a integrar a estratégia produtiva do agro, consolidando uma transformação que une sustentabilidade e competitividade.

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