Pablo Marçal nega moderação e diz: ‘Não vai ter trégua para comunista’

Pablo Marçal está abandonando a postura de outsider. O político filiou-se ao União Brasil nesta última sexta-feira, 6, e indicou uma transição do perfil explosivo que marcou sua campanha à Prefeitura de São Paulo, em 2024, para uma atuação mais institucional. Mas ele garante: o seu discurso seguirá combativo e ele quer fazer parte do pleito em 2026.

Em entrevista exclusiva a Oeste, o empresário rechaçou qualquer tentativa de suavizar suas posições ideológicas. “Não vai ter nunca trégua para comunista”, disparou. Para ele, a mudança não atinge o conteúdo de suas falas, mas sim a sua postura pessoal diante da nova responsabilidade política. Marçal afirmou que o amadurecimento é natural quando se responde por “muita gente” em um partido mais “centrado”. “Eu não vejo uma mudança de tom, eu vejo uma subida de frequência.”

Banco Master entra no debate

A filiação de Marçal ao União Brasil ocorre em meio à turbulência causada pelas investigações sobre Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Documentos analisados na Comissão Mista Parlamentar de Inquérito do Instituto Nacional do Seguro Social indicam que o presidente da sigla, Antônio Rueda, utilizou um helicóptero ligado ao banqueiro em deslocamentos.

Mensagens atribuídas a Vorcaro reforçam a proximidade com o universo da coligação entre o União Brasil e o Progressitas, citando o senador Ciro Nogueira como um amigo íntimo. Questionado pela Oeste sobre um possível desgaste de sua imagem na legenda, Marçal minimizou os riscos. “Queimar não é ruim não”, afirmou o empresário, ressaltando que líderes precisam suportar pressões. “Se queimar, você vai ver qual que é seu ponto de fusão.”

O empresário também recorreu à sua trajetória pessoal para justificar o desapego diante de crises institucionais. “Rapaz, eu que fui pobre não estou nem aí para escândalo”, disparou. Apesar do tom, Marçal defendeu que a Justiça investigue e puna qualquer irregularidade, independentemente do cargo ocupado pelos envolvidos. “Se o Rueda e o Ciro tiverem feito alguma coisa que foge da legalidade, que eles estejam prontos para pagar.”

Mesmo ‘perseguido’, Marçal quer trabalhar nas eleições

Para Marçal, contudo, o foco das atenções no caso do Banco Master deveria recair sobre outras esferas de influência. “A maior preocupação não é com o Rueda, não é com o Ciro, é com a ligação que ele [Vorcaro] tem com órgãos do Judiciário”, alertou. O político aproveitou o gancho para subir o tom contra os tribunais brasileiros, classificando as decisões que o tornaram inelegível como fruto de “perseguição”. Ele sustenta que o país atravessa o período de maior corrupção judicial da história e pediu que seus apoiadores ignorem as condenações atuais, pois acredita em uma reversão jurídica futura.

Apesar da filiação, Marçal não confirmou se disputará um cargo em 2026. A indefinição persiste enquanto o empresário contesta judicialmente sua inelegibilidade. Neste momento, Marçal prioriza o fortalecimento eleitoral do União Brasil e pretende usar sua influência digital para ampliar a votação da legenda. Caso consiga reverter as decisões judiciais, ele submeterá qualquer plano de candidatura ao consenso da coligação União Progressista.

O evento de filiação também serviu como palco para gestos de pacificação com a direita paulista. Marçal pediu desculpas públicas ao prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), e ao governador do Estado, Tarcísio de Freitas (Republicanos), com quem travou embates pesados na eleição municipal.

Houve ainda um momento de apoio à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro enviou um vídeo para o evento, destacando os valores de Marçal e chamando-o de guerreiro. Durante coletiva, o mais novo membro do União Brasil se colocou à disposição para ajudar na estratégia de campanha do presidenciável.

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