Valterlucio Campelo: Rodovias, pontes, ferrovia… apenas campanha, nada mais

Neste dia 15 de junho, 64º aniversário do Estado do Acre, em meio às comemorações de praxe, um fato paralelo chamou mais a atenção do que as merecidas solenidades. É que esteve aqui o Ministro dos Transportes, George Santoro, que antes era o secretário-executivo do Renanzinho Calheiros. Puxado pela mão do atual nada, mas ex-tudo no Acre, o Sr. Jorge Viana, que está em aguerrida campanha para o senado, o ministro abriu o baú de promessas que só iludem os mais incautos dos acreanos.

Segundo o candidato ao senado, ele veio deixar um presente, que seria, em seu dizer, a recuperação da estrada que ele mesmo fez, e que, desde então, já gastou bilhões em refazimentos. O serviço porco não durou muito, assim como esse que vem aí não durará. Para não deixar de cumprir a cartilha, aproveitaram para botar a culpa no “abandono” dos últimos anos, como se eles estivessem assumindo o governo hoje. Façam as contas. Se Bolsonaro em seus dois anos de governo pós-COVID (nessa época todos os recursos estavam dirigidos à pandemia), abandonou a BR364, o que fez o governo lula em seus três anos e meio?

A hipocrisia lulopetista parece método. Os dois fizeram questão de frisar que a estrada ficou pior “no governo passado”. É mesmo? Então por que raios ela se tornou intrafegável agora no governo Lula. Teria sido excesso de zelo?

Não sendo suficiente, o Jorge Viana cuidou de esculachar o governo Gladson-Mailza. Quando falou do anel viário de Brasileia, foi logo antecipando que a obra parou por causa da corrupção alvo da Operação Ptolomeu. Viana é do tipo que não respeita o anfitrião. Em seguida, mais uma promessa na conta.

Quando tratou da queda da ponte de Sena Madureira, deitou sua experiência e teve a ideia fantástica, jamais pensada, originalíssima, de propor uma balsa para fazer a travessia do rio. Cmo não pensamos nisso, né? Outra ideia genial, foi fazer uma rampa para as pessoas descerem. Caramba! Com gênios assim, nem sei como a Florestania virou m&rd@.

Mais fantástica do que cada ideia do candidato foi a cobertura que teve de todos os meios de imprensa e mídia eletrônica. Nem desconfio de onde sai tanta boa vontade com a imbiricica de promessas, incluindo a ferrovia que virou “projeto de vida”, mas que no final das contas, sob exame severo, atende a interesses muito mais grandiosos do que os nossos.

Qualquer acreano com um pouco de juízo sabe que o poço fiscal em que Lula nos enfiou não permite esses devaneios. As promessas não são apenas falsas, elas são irresponsáveis. Somente quem sabe que vai deixar o governo no próximo ano se atreve, como esse braço direito de Renan Calheiros, a prometer tais investimentos.

O governo federal acabou de bloquear R$ 1,6 bilhão do orçamento do Ministério da Educação, o país acumula um déficit fiscal estimado para 2026 em 60 bilhões de reais. A dívida pública vai a 84% do PIB, já chegamos no pico da curva de Lafer (não há espaço tributário), o espaço para despesas discricionárias (investimentos, por ex.) está em seu mínimo histórico e o cenário para 2027 é desolador.

Sabendo disso tudo, vem agora, às vésperas das eleições, essa turma incompetente que quebrou o país pela segunda vez, se apresentar com desinteria de promessas. O troço é tão afrontoso, tão ostensivamente propagandístico, que somente uma meia dúzia de tolos ou, em alguns casos, contratados para tal, dão trela para essa “visita”.

A vinda do ministro, porém, dá a medida do esforço do governo federal, digo, do lulopetismo, na tentativa de alavancar a candidatura vianista. Um assobio do Jorge e Lula destaca para o Acre um ministro que por cá nunca deu as caras. Um fenômeno somente explicável pela necessidade vital de eleger no Acre um senador que se some aos esquerdistas em Brasilia, e empurre o país de vez para o abismo.

Interessante notar que todo esse teatro, incluindo as acusações, se desenrola sob o mantra “não interessa se é esquerda ou direita”. Hein, cara-pálida? Nunca uma candidatura encarnou tão consistentemente a esquerda quanto a de Jorge Viana ao senado, embora negue de pé junto.

Como a maioria no senado será conseguida por pouquíssimos votos, a missão da vida de Jorge Viana é aquela que lhe entregou há alguns meses Lula da Silva: saia da APEX, vá lá e ganhe a eleição, nada lhe faltará. Apenas não deixe a direita ganhar as duas vagas no Acre. Esta é a realidade dos fatos. A disputa no Acre, embora neguem a roupa, a linguagem, os símbolos as cores e o discursos petistas é essencialmente ideológica. Não vê quem não quer, ou é pago para fechar os olhos.

Não se admirem se doravante a cada problema desembarque por aqui um ministro desses para prometer o que não pode cumprir. Trata-se da estratégia dilmista de “faça o diabo, mas ganhe a eleição”, depois resolvemos o que der para resolver. Se os acreanos ainda não perceberam, é hora de ser alertado.

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Valterlucio Campelo

Valterlucio Bessa Campelo escreve semanalmente nos sites AC24HORAS, DIÁRIO DO ACRE, ACRENEWS e, eventualmente, no site Liberais e Conservadores do jornalista e escritor PERCIVAL PUGGINA, no VOZ DA AMAZÔNIA e em outros sites.

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