Com usuários consumindo menos alimentos ultraprocessados e priorizando proteínas, frutas e produtos frescos, especialistas avaliam que medicamentos como Ozempic, Wegovy e Mounjaro já começam a influenciar cadeias produtivas e podem alterar a demanda global por alimentos nos próximos anos.
O avanço das chamadas canetas emagrecedoras pode mudar a forma como os brasileiros consomem alimentos? E quais os impactos dessa transformação para setores como o varejo, a indústria de alimentos e até o agronegócio? Essas são algumas das questões que começam a ganhar espaço no mercado diante do crescimento do uso de medicamentos à base de GLP-1, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro. Inicialmente voltados ao tratamento da obesidade e do diabetes, esses produtos já começam a produzir reflexos que vão além da área da saúde e alcançam a economia.
A discussão ganhou força após análise do consultor Marcelo Prado, CEO da MPrado Consultoria, que aponta uma mudança gradual nos hábitos de consumo da população. Segundo ele, a redução do apetite e a busca por uma alimentação mais equilibrada estão levando empresas a revisar estratégias, portfólios de produtos e planos de investimento. Na avaliação do especialista, trata-se de uma transformação capaz de alterar a dinâmica de diversos segmentos da economia nos próximos anos.
Os números mais recentes reforçam essa percepção. Levantamento da NielsenIQ aponta que, embora apenas cerca de 5% dos lares brasileiros utilizem atualmente medicamentos à base de GLP-1, os efeitos sobre o comportamento do consumidor já são perceptíveis. Mais de 60% dos usuários afirmam ter reduzido outros gastos para conseguir arcar com o tratamento, que possui custo elevado e costuma ser de uso contínuo.
A pesquisa também mostra mudanças importantes na cesta de consumo dessas famílias. Categorias como bares, restaurantes, bebidas alcoólicas e produtos considerados indulgentes, como doces e snacks, passaram a perder espaço no orçamento. Em contrapartida, proteínas, frutas e alimentos frescos registram maior participação, acompanhando a busca por hábitos alimentares mais saudáveis.
Para especialistas, o movimento ainda está em estágio inicial, mas já serve de alerta para empresas que dependem diretamente do consumo alimentar. Se a adesão aos medicamentos continuar crescendo nos próximos anos, a tendência é que o impacto se espalhe por toda a cadeia produtiva, influenciando desde a indústria de alimentos até segmentos ligados à produção agropecuária.



