Produção global de carne bovina encolhe e menor oferta deve manter preços sustentados em 2026

A oferta mundial de carne bovina começou 2026 em ritmo menor e o movimento já provoca reflexos importantes no mercado internacional. Um levantamento da RaboResearch, divisão de pesquisas do Rabobank, mostra que a produção global de carne bovina recuou 2,5% no primeiro trimestre na comparação com o mesmo período do ano passado, reduzindo a disponibilidade de carne e fortalecendo as cotações em diversos países.

O cenário reforça uma tendência que já vinha sendo observada por consultorias como Scot Consultoria, Safras & Mercado, Agrifatto e Cepea: a combinação entre oferta restrita e demanda internacional aquecida tende a sustentar os preços da carne bovina e da arroba ao longo do segundo semestre, especialmente em grandes exportadores como o Brasil.

Brasil lidera movimento de redução da oferta

Segundo o relatório, o Brasil deverá registrar uma queda de 4% na produção de carne bovina em 2026, resultado atribuído ao menor volume de animais disponíveis para abate após o ciclo de retenção de fêmeas e da redução na oferta de bovinos terminados.

Além do Brasil, os Estados Unidos deverão reduzir sua produção em 3%, enquanto a China deverá apresentar recuo de 2%, consolidando um cenário global de menor disponibilidade de carne bovina.

Essa redução simultânea nas três maiores potências do setor ajuda a explicar a valorização observada nos mercados internacionais.

Carne bovina fica mais cara em diversos mercados

A menor oferta já começou a impactar os preços.

De acordo com a RaboResearch, os preços da carne bovina no Brasil avançaram 9% no primeiro trimestre de 2026 em relação ao último trimestre de 2025. No mesmo período, houve alta de 4% no Uruguai e de 2% tanto nos Estados Unidos quanto na Europa.

Para o mercado brasileiro, esse comportamento reforça um ambiente de sustentação para a arroba, especialmente diante do bom desempenho das exportações e das escalas de abate ainda relativamente ajustadas em diversas regiões produtoras.

Estados Unidos ampliam importações

Mesmo produzindo menos, os Estados Unidos seguem ampliando sua presença no comércio internacional.

As importações norte-americanas de carne bovina cresceram 15% no primeiro trimestre de 2026, refletindo a escassez de bovinos no mercado doméstico. Nesse ambiente, os preços do gado terminado acumularam alta de 16%, enquanto os animais de reposição registraram valorização entre 32% e 37%, indicando que a recomposição do rebanho ainda deverá levar tempo.

Segundo a RaboResearch, a expectativa é que os preços continuem elevados enquanto a produção permanecer pressionada.

Austrália amplia produção e ganha espaço nas exportações

Na contramão das Américas, a Austrália segue expandindo sua produção.

Os frigoríficos australianos processaram 2,3 milhões de bovinos no primeiro trimestre, o maior volume da série para o período. As exportações cresceram 16% nos quatro primeiros meses do ano, superando 500 mil toneladas.

O relatório destaca ainda que os embarques australianos para a China aumentaram 36%, movimento que pode levar ao esgotamento da cota de exportação do país para o mercado chinês. Caso isso ocorra, parte desse volume poderá ser redirecionada para destinos como Estados Unidos e Reino Unido.

Mercado deve permanecer firme

A leitura do mercado é de que a combinação entre oferta global mais restrita, demanda internacional consistente e exportações aquecidas tende a manter o setor em um ambiente de preços sustentados ao longo de 2026.

No Brasil, analistas acompanham ainda fatores como o avanço da entressafra, o comportamento das exportações para a China e o ritmo de compra dos frigoríficos, variáveis que deverão continuar determinando a direção da arroba nos próximos meses.

Com informações RaboResearch/Rabobank

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