Kassab diz que questionar resultado das eleições prejudica campo bolsonarista

O presidente do Partido Social Democrático (PSD), Gilberto Kassab, disse que o discurso de ataque às urnas eletrônicas perdeu força e prejudica o campo político bolsonarista. “Questionar a urna, cá entre nós? Chega, chega, isso aí não é mais argumento. Acho que desgasta o bolsonarismo, desgasta o PL. É mais do que provado que a urna, ela é inexpugnável, é um avanço do Brasil”, declarou em entrevista ao programa Canal Livre, da Band e da BandNews TV, que vai ao ar neste domingo, 1º de novembro.

Presidente do PSD criticou a postura de Flávio Bolsonaro (PL) em contestar o resultado da eleição. Ele indicou que haveria espaço para contestações pontuais, mas não o resultado final do pleito. “O que ele podia falar, depois de cumprimentar o presidente eleito, é que o seu partido ia recorrer porque achava que a campanha do Lula abusou aqui, abusou ali, usou da máquina. É normal, isso é normal. Mas, agora, ele não aceitar o resultado não é normal”, avaliou.

Após fugir do Brasil para Miami (EUA), o candidato derrotado à Presidência da República disse, em carta na última quarta-feira, 28, ser “verdadeiro presidente eleito do Brasil”, expressão posteriormente alterada. O manifesto foi divulgado pelo influenciador Paulo Figueiredo. Quinze minutos após distribuir o texto, ele divulgou uma nova versão, atualizando o brasão com nome correto do País, inicialmente escrito como “Estados Unidos do Brazil”. Flávio abrandou o tom em uma terceira versão, publicada no X às 17h51, autointitulando-se “o líder do Brasil”

“Faltou um pouco de senioridade aos seus companheiros, porque nesse momento de calor emocional tem que ter alguém que segura o candidato, alguém que tenha ascendência sobre ele. Porque era tão óbvio que a manifestação dele era errada, porque a campanha transcorreu normalmente, não teve nada de errado, não tem nenhum motivo para questionar e se apresentar como um cara que não ia aceitar o resultado”, disse Kassab.

O presidente do PSD afirmou na entrevista que a “autoconfiança” demonstrada por Flávio Bolsonaro (PL) na campanha presidencial teria assustado parte do eleitorado, o que contribuiu para a derrota no último domingo, 25. “Alguns falam em arrogância, outros em salto alto. Eu não sei qual é o nome, mas na medida que ele foi soltando pílulas do que seria a sua conduta como presidente e numa autoconfiança muito grande, ele assustou os eleitores”, disse.

As declarações sobre mudanças na Constituição e as críticas de Eduardo Bolsonaro à diplomacia brasileira teriam sido fatores que também contribuíram para afastar parte do eleitorado, segundo Kassab. Ele também afirmou que houve erro, na direita, sobre a definição de quem seria o nome para enfrentar o atual presidente. “Se tivesse um candidato mais ao centro, ele roubaria os votos do centro e ganharia a eleição no primeiro turno. Isso é óbvio e eu reafirmo hoje que eles erraram no candidato”, apontou.

Flávio chamou o resultado do segundo turno de “fraude eleitoral”, sem apresentar provas, repetindo o discurso do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em 2022. Lula foi reeleito com 51,78% dos votos válidos, ante 48,22% de Flávio – por uma diferença de 4,4 milhões de votos. Levantamento do Monitor do Debate Político no Meio Digital, da Universidade de São Paulo (USP), aponta que houve apenas 34,7 mil votos após as 17h no segundo turno, até as 19h.

Gilberto Kassab cobrou o PL por não contestar as vitórias no Congresso. Para ele, há insistência do bolsonarismo em levantar suspeitas sobre os resultados das eleições. “É uma questão que está sempre sendo colocada só pelo bolsonarismo, que é um erro deles, porque mostra que tem aquela vontade de melar, que é a impressão que passa. Porque quando ganha, não”, disse.

Apesar da derrota de Flávio Bolsonaro, o PL terá uma bancada expressiva de 121 deputados e de 28 senadores. A conversa de Gilberto Kassab vai ao ar no Canal Livre neste domingo, às 20h, na BandNews TV, na BandNews FM e na Rádio Bandeirantes, e às 23h na Band.

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