Flávio Bolsonaro: “Não saí do Brasil, saí pelo Brasil”

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) publicou neste domingo (1º) uma declaração intitulada “Nota ao Brasil”, na qual criticou a TV Globo, contestou medidas judiciais determinadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e justificou sua viagem aos Estados Unidos, iniciada em 27 de outubro. Na manifestação, divulgada nas redes sociais, o parlamentar também anunciou que pretende conceder entrevistas a veículos nacionais e internacionais nos próximos dias.

Um dos principais pontos da nota foi a afirmação de que a Rede Globo teria desistido de realizar uma entrevista exclusiva depois que ele condicionou sua participação à exibição integral da conversa. “Aceitei com uma condição simples: que fosse exibida na íntegra, sem cortes e sem temas proibidos. A emissora preferiu não seguir adiante”, escreveu.

Flávio também criticou uma reportagem exibida pelo programa Fantástico, que abordou as circunstâncias de sua saída do Brasil e o trajeto percorrido até os Estados Unidos. O senador afirmou que não teria recebido oportunidade de apresentar sua versão dos acontecimentos. “Se o maior grupo de comunicação do Brasil está com MEDO, não tem a menor condição moral de me julgar ou tentar destruir minha reputação”, declarou.

Ao justificar a viagem, o parlamentar utilizou a frase “Não saí do Brasil, saí pelo Brasil!” e afirmou que deixou o país por razões políticas. Segundo ele, sua saída ocorreu em meio a uma decisão judicial que determinou medidas cautelares, incluindo a entrega dos passaportes e a proibição de deixar o território nacional. Flávio chegou aos Estados Unidos em 28 de outubro, acompanhado da mulher e das duas filhas.

Na nota, o senador afirmou que a decisão judicial foi tomada apenas sete minutos depois do anúncio do resultado das eleições e que recebeu a intimação aproximadamente 12 horas depois, ao deixar a residência do pai, Jair Bolsonaro. Ele classificou as medidas como perseguição política e judicial. 

A Polícia Federal informou que apresentou ao STF, em 25 de outubro, um pedido de medidas cautelares após identificar risco de saída do parlamentar do Brasil. A corporação confirmou o cancelamento dos passaportes brasileiros e a intimação de Flávio em 26 de outubro para entregar eventuais documentos de outras nacionalidades. A PF também declarou que não havia registro oficial de saída do senador pelos postos de controle migratório brasileiros e que investigava as circunstâncias do descumprimento das determinações.

Flávio também direcionou críticas ao ministro Alexandre de Moraes e contestou a atuação da Polícia Federal. Na nota, afirmou que os agentes foram à residência da família e fizeram buscas em gavetas de suas filhas. O senador ainda relacionou as medidas judiciais à situação de Jair Bolsonaro, condenado a mais de 27 anos de prisão, e classificou o episódio como incompatível com um processo judicial justo e imparcial.

Ao encerrar a manifestação, o ex-candidato à Presidência afirmou que não se arrepende de sua atuação política e anunciou que pretende conversar com veículos de comunicação brasileiros e estrangeiros. “Não me arrependo de absolutamente nada do que fiz”, escreveu. Ele concluiu prometendo conceder as próximas entrevistas “sem cortes, sem filtro” e afirmou que continuará defendendo suas posições políticas a partir dos Estados Unidos.

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