Agroindústria brasileira recua 0,9% em junho e amplia alerta para o segundo semestre de 2026

A produção da agroindústria brasileira caiu 0,9% em junho de 2026 na comparação com o mesmo mês de 2025. O desempenho negativo foi provocado principalmente pelo segmento de produtos não alimentícios, segundo dados do Índice de Produção Agroindustrial (PIMAgro), elaborado pelo FGVAgro.

O resultado reforça o cenário de desaceleração observado ao longo do primeiro semestre. Entre janeiro e junho, a atividade agroindustrial acumulou retração de 0,3% ante igual período do ano passado, influenciada pela perda de ritmo da economia brasileira e pelas incertezas no mercado internacional.

Produtos não alimentícios pressionam produção agroindustrial

Em junho, a produção de produtos não alimentícios recuou 2,1% na comparação anual. As maiores quedas foram registradas nos insumos agropecuários, com contração de 12,1%, e nos produtos têxteis, cuja produção diminuiu 3,7%.

A forte retração dos insumos foi determinante para o desempenho negativo da agroindústria no mês, evidenciando as dificuldades enfrentadas por importantes cadeias fornecedoras do agronegócio brasileiro.

Produção de alimentos e bebidas permanece estável

O segmento de produtos alimentícios e bebidas apresentou estabilidade em junho, com leve crescimento de 0,1% em relação ao mesmo mês de 2025.

O avanço da produção de alimentos de origem animal, de 3,3%, e o aumento de 3% na fabricação de bebidas compensaram parcialmente a queda de 6,1% observada nos alimentos de origem vegetal.

O comportamento dos diferentes grupos mostra que a desaceleração da agroindústria não ocorre de maneira uniforme. Enquanto algumas atividades ligadas à proteína animal e às bebidas mantêm expansão, setores dependentes da produção vegetal e de insumos enfrentam retração mais intensa.

Agroindústria acumula queda no primeiro semestre de 2026

No acumulado dos seis primeiros meses de 2026, a produção agroindustrial diminuiu 0,3% em comparação com igual intervalo de 2025.

Os produtos não alimentícios registraram retração de 2% no período. Em sentido contrário, a produção de alimentos e bebidas cresceu 1,1%, funcionando como principal fator de sustentação da atividade.

Apesar do saldo positivo no semestre, o FGVAgro chama a atenção para a perda gradual de dinamismo desse segmento. Os resultados mensais com ajuste sazonal indicam desaceleração contínua desde março, elevando a preocupação sobre o desempenho nos próximos meses.

Exportações de proteína animal aumentam incertezas

O cenário externo também poderá limitar uma recuperação mais consistente da agroindústria brasileira durante o segundo semestre.

Segundo a análise do FGVAgro, o esgotamento da cota chinesa para a carne bovina brasileira e a interrupção dos embarques de produtos de origem animal para a União Europeia podem afetar a produção das indústrias exportadoras.

Essas restrições representam riscos especialmente relevantes para o setor de alimentos de origem animal, que apresentou uma das maiores altas em junho e ajudou a evitar uma retração mais acentuada da produção agroindustrial.

Recuperação em 2026 dependerá da demanda e do mercado externo

Ainda existe possibilidade de a agroindústria reverter o resultado negativo e encerrar 2026 com crescimento. A recuperação, entretanto, dependerá da evolução da demanda interna, da atividade econômica, das condições de exportação e do desempenho das cadeias de insumos e produtos vegetais.

Com quedas expressivas em segmentos estratégicos e sinais de enfraquecimento na produção de alimentos e bebidas, o setor inicia o segundo semestre diante de um ambiente mais desafiador. A retomada deverá exigir melhora das condições econômicas e redução das barreiras que afetam o comércio internacional do agronegócio brasileiro.

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