Em abril, São Bernardo do Campo recebe o 46° CONUBES o maior congresso de estudantes secundaristas da América Latina. Juventudes de todo espectro político vão disputar a direção da entidade, agitar bandeiras e apresentar projetos de país. No meio de toda essa disputa, uma pauta deveria ser consenso: a defesa do ensino técnico profissionalizante.
Não deveria ser pauta de esquerda. Não deveria ser pauta de direita. Deveria ser pauta do bom senso.
O Brasil carrega uma ferida antiga nessa área. Desde o século XIX, a educação profissional foi pensada para os “desvalidos da sorte” era o que o próprio Conselho Nacional de Educação reconhecia em documento oficial. Enquanto o ensino regular existia para “formar as elites condutoras do país”, o técnico era o destino dos pobres que precisavam trabalhar rápido. Essa lógica atravessou décadas. E, de certa forma, ainda está aqui.
O resultado é visível nas ruas: jovens que terminam o ensino médio sem saber fazer nada. Uma escola que não prepara para a universidade e também não prepara para o trabalho.
Os números apontam o caminho. Segundo o IBGE, mais de 24 milhões de brasileiros já fizeram ou estavam fazendo um curso técnico até 2014. A procura não para de crescer. E há uma razão prática para isso: quem tem formação técnica sai do desemprego em seis meses, em média. Quem não tem, leva de um ano e meio a dois. Num país com desemprego crônico entre jovens, ignorar esse dado é uma irresponsabilidade.
A Juventude Livre, uma das chapas que disputa o CONUBES, colocou o tema no centro do seu manifesto. Inspirada nos Institutos Federais e nas ETEs, a chapa defende que “o estudante precisa sair da escola com uma profissão e capacidade de gerar renda, não apenas com um diploma debaixo do braço.”
Pode-se concordar ou não com o projeto político dessa juventude mas nesse ponto específico, é difícil discordar.
O debate em torno do Novo Ensino Médio escancarou o problema. O modelo foi implantado sem estrutura adequada, sem professores suficientes e sem laboratórios. Contudo, simplesmente revogar o NEM e retornar ao modelo anterior também não resolve pois o sistema antigo igualmente apresentava falhas estruturais e baixo desempenho. O que o país necessita é de uma escola que forme efetivamente: que combine uma base curricular sólida com formação técnica consistente; que compre-enda que oferecer ao jovem condições reais de buscar as liberdades econômica e intelectual constitui o único caminho capaz de gerar um ciclo virtuoso de desenvol-vimento social e produtivo.
O CONUBES de 2026 tem uma oportunidade concreta: mostrar que a juventude estudantil é capaz de superar as trincheiras ideológicas quando o assunto é a vida real dos estudantes brasileiros. O ensino técnico profissionalizante não é bandeira de nenhum partido. É uma necessidade do país.
“E quem passa fome não pode esperar o fim do debate teórico para comer.”
Danton Moura
Graduando em Economia, integrante do PET Economia da Universidade Federal do Acre (UFAC); participante do programa Jovens Talentos pela Liberdade, do Instituto Millenium; membro do Students For Liberty Brasil (SFLB).


