Boi gordo dispara, encosta nos R$ 380/@ e pressiona indústria; até quando?

mercado do boi gordo iniciou a semana com um movimento que chama atenção de toda a cadeia pecuária: novas altas nos preços da arroba, com negócios avançando em diversas regiões e já atingindo patamares próximos de R$ 380/@ em importantes praças pecuárias. O cenário reforça um momento de firmeza no mercado físico, sustentado principalmente pela baixa oferta de animais prontos para abate.

De acordo com o analista Fernando Henrique Iglesias, da Safras & Mercado, os frigoríficos seguem enfrentando dificuldades na formação das escalas de abate, o que tem obrigado a indústria a pagar mais para garantir matéria-prima e manter o ritmo operacional . Esse fator tem sido determinante para sustentar a valorização recente.

Oferta restrita e retenção de gado sustentam alta

O atual ciclo de preços está diretamente ligado à escassez de boiadas terminadas, especialmente de machos, além da retenção estratégica por parte dos pecuaristas, que aguardam valores ainda mais atrativos para negociar seus lotes.

Segundo a Scot Consultoria, o cenário ainda é de oferta reduzida, o que mantém a pressão de alta, com registros de negócios ao redor de R$ 370/@ na praça paulista. Já a Agrifatto destaca que, diante das escalas de abate apertadas, a indústria precisou ceder e pagar mais para manter o nível de processamento e atender às exportações .

Nas principais praças monitoradas, os preços seguem firmes:

  • São Paulo: acima de R$ 370/@ – com negociações pontuais de até R$ 380/@
  • Goiás: próximo de R$ 359/@
  • Mato Grosso: na casa de R$ 366/@
  • Mato Grosso do Sul: acima de R$ 361/@
  • Minas Gerais: acima de R$ 354/@

Além disso, negócios pontuais já indicam avanços acima das referências tradicionais, refletindo um mercado aquecido e competitivo.

Atacado reage e reforça tendência de valorização no mercado do boi gordo

No mercado atacadista, os preços da carne bovina também registraram alta, impulsionados pela reposição ao longo da cadeia e pela entrada de salários na economia, o que aumenta o consumo no curto prazo.

De acordo com a Safras & Mercado, há expectativa de novos reajustes no curtíssimo prazo, ainda que o avanço possa ser limitado pelo comportamento das proteínas concorrentes, como frango e suíno .

Entre os cortes, os reajustes foram evidentes:

  • Quarto traseiro: R$ 28,00/kg (+R$ 0,50)
  • Quarto dianteiro: R$ 23,00/kg (+R$ 0,50)
  • Ponta de agulha: R$ 20,50/kg (+R$ 0,40)

Mercado futuro aponta cautela e levanta sinal de alerta

Enquanto o mercado físico avança, a B3 segue em direção oposta, com queda nos contratos futuros da arroba, refletindo preocupação dos investidores com fatores externos.

Segundo a Scot Consultoria e dados de mercado compilados por analistas, os contratos para os próximos meses registraram recuos, indicando cautela diante do cenário de médio prazo .

Entre os principais pontos de atenção está o possível esgotamento da cota chinesa, que pode ocorrer entre maio e junho. Conforme a Safras & Mercado, a China estabeleceu um limite de importação de carne bovina brasileira em cerca de 1,1 milhão de toneladas para 2026, o que pode impactar diretamente o fluxo de exportações .

Além disso, a própria consultoria aponta sinais de ajuste na indústria, com férias coletivas já sendo adotadas em estados como Mato Grosso, podendo se estender a outras regiões caso a ociosidade aumente nos próximos meses .

Mercado vive momento decisivo e testa novo teto

Diante desse cenário, o mercado pecuário entra em uma fase crucial. A grande dúvida do mercado hoje é se o boi gordo consegue manter o ritmo de alta e avançar rumo aos R$ 400 por arroba ou se deve perder força diante das incertezas que ainda cercam o setor.

De um lado, há fundamentos sólidos no curto prazo: oferta restrita, escalas curtas e demanda aquecida. Do outro, fatores externos — como exportações limitadas, comportamento do câmbio e pressão no mercado futuro — podem frear o avanço.

O que se observa, neste momento, é um mercado dividido entre a força do físico e a cautela das expectativas, tornando os próximos meses decisivos para definir o novo patamar da arroba no Brasil.

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