Candidato do agro, Zé Filho mostra que preservação e produção não precisam ser inimigas

Há uma discussão que o Acre precisa amadurecer: precisamos mesmo escolher entre preservar a floresta e produzir? Entre valorizar os povos indígenas e fortalecer o agronegócio? Entre proteger nossa cultura e gerar riqueza? A experiência de Tarauacá mostra que não.

O município apresenta um dos exemplos mais interessantes dessa possível convergência. No Rio Gregório, uma das principais referências de etnoturismo do Acre, mais de 20 aldeias indígenas movimentam uma rota baseada na cultura, na medicina tradicional, na culinária e nos festivais dos povos Yawanawa e Katukina. É floresta, cultura e turismo transformados em oportunidade.

Mas existe outro elemento nessa história que merece atenção: a convivência com os produtores rurais do entorno das reservas. Em vez de enxergar o indígena e o produtor como adversários, Tarauacá começa a mostrar que existe espaço para cooperação, negócios e desenvolvimento compartilhado.

Um exemplo citado pelo candidato a deputado estadual Zé Filho (Novo), é o produtor Isaías, que decidiu ampliar sua produção com a aquisição de um touro, 13 vacas Girolando e duas búfalas leiteiras. A produção, que já chega a cerca de 60 litros de leite, deve crescer para atender também uma demanda das comunidades indígenas por leite, doces de leite e outros derivados.

É uma pequena história, mas carrega uma grande mensagem. Quando a produção rural encontra a cultura indígena, não necessariamente existe conflito. Pode existir mercado. Pode existir parceria. Pode existir renda. Pode existir desenvolvimento.

É justamente aí que a proposta de Zé Filho ganha uma dimensão que vai além do discurso eleitoral. Ao se apresentar como candidato do agro, ele defende uma visão na qual produzir não significa necessariamente destruir e preservar não deveria significar impedir o desenvolvimento econômico. O desafio está em encontrar o equilíbrio, respeitando a legislação, o meio ambiente, os povos tradicionais e, ao mesmo tempo, garantindo ao produtor condições para trabalhar.

O Acre não precisa importar uma guerra ideológica entre “preservacionistas” e “produtivistas”. Nossa realidade é diferente. Temos uma das maiores áreas de floresta do país, povos indígenas com culturas únicas, produtores rurais, pequenos agricultores, pecuaristas, empreendedores e uma população que precisa de emprego, renda e oportunidades.

A pergunta que deveria orientar o debate é outra: como transformar nossas riquezas naturais e culturais em prosperidade sem destruir aquilo que queremos preservar?

Tarauacá oferece uma resposta possível. O etnoturismo valoriza a floresta e a cultura indígena. A produção rural gera alimentos e movimenta a economia. E a aproximação entre esses dois mundos cria novas oportunidades.

Não se trata de dizer que todos os conflitos estão resolvidos ou que a convivência seja sempre simples. Trata-se de reconhecer que indígenas e produtores podem fazer parte de uma mesma agenda de desenvolvimento, desde que exista respeito, segurança jurídica, diálogo e disposição para construir soluções.

Essa talvez seja uma das discussões mais importantes para o futuro do Acre. Preservação não precisa ser sinônimo de pobreza. Agronegócio não precisa ser sinônimo de destruição. Cultura indígena não precisa estar isolada da economia.

O caminho pode estar justamente na convergência.

E se Tarauacá já apresenta sinais dessa convivência na prática, talvez seja hora de olhar para esse exemplo com menos ideologia e mais pragmatismo. Porque o Acre precisa preservar suas raízes, mas também precisa produzir, empreender, gerar renda e criar oportunidades para quem vive aqui.

Desenvolver o Acre não deveria significar escolher entre a floresta e o campo. O desafio é fazer os dois caminharem juntos.

🎥 Veja abaixo o vídeo de Zé:

Tópicos:

PUBLICIDADE

Preencha abaixo e receba as notícias em primeira mão pelo seu e-mail

PUBLICIDADE

Nossa responsabilidade é muito grande! Cabe-nos concretizar os objetivos para os quais foi criado o jornal Diário do acre