A área plantada no Acre registrou crescimento de 5,6% em apenas um ano, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na terça-feira, 14. As informações fazem parte do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), que apresentou a estimativa de produção referente ao mês de março.
A estimativa de março de 2026 para a safra nacional de cereais, leguminosas e oleaginosas é de 204.246 toneladas, o que representa um aumento de 9,2% em relação ao volume registrado em 2025, que foi de 186.972 toneladas. Esse foi o segundo maior crescimento da região Norte, colocando o Acre atrás apenas do Amapá.
Outro dado relevante é o avanço da área plantada, que passou de 62.804 hectares para 66.325 hectares, um salto de 5,6%, crescimento superior à média nacional e também o segundo maior da região Norte.
Expansão sustentável da produção
Ao mesmo tempo em que houve avanço do agronegócio no estado, os indicadores mostram que o Acre apresentou resultados positivos no controle do desmatamento no ano florestal de 2024–2025.
Dados do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), vinculado ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), revelam que a taxa registrada no período, de agosto de 2024 a julho de 2025, superou em 43% a meta estabelecida para 2025 no Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento e das Queimadas do Acre (PPCDQ).

“Nosso papel é mostrar que é possível aumentar a produção, e esse é um legado dos governos Gladson e Mailza, que demonstraram, na prática, que é possível viver em harmonia com esses dois mundos. Tivemos um aumento exponencial nas áreas destinadas à atividade agrícola. A pecuária cresceu, o rebanho aumentou e, ao mesmo tempo, conseguimos reduzir as áreas de desmatamento. Isso também se refletiu na diminuição dos focos de incêndio nos últimos anos”, destacou o secretário estadual de Meio Ambiente, Leonardo Carvalho.
Os órgãos ambientais do Estado se reuniram, nesta quarta-feira, 15, para definir metas e ações que garantam a continuidade dessa harmonia entre produção e conservação, ampliando seus impactos positivos na economia, na saúde e na sustentabilidade do Acre.
“O desafio agora é manter esse ritmo de ampliar a produção, ser mais sustentável, mais eficiente e, ao mesmo tempo, cuidar do nosso meio ambiente. As pessoas querem viver bem, querem ter ar de qualidade, querem ter água em casa, querem ver a poluição diminuir, querem não ter lixo perto de casa ou dentro dos igarapés. Mas também querem produzir. E esse é um diálogo que precisa ser constante entre a Secretaria de Meio Ambiente e a Secretaria de Agricultura e Produção”, destacou.
Carvalho enfatiza ainda que os números mostram, de forma clara, que é possível caminhar em harmonia, unindo esses dois setores.

Agricultura de baixo impacto
A secretária estadual de Agricultura, Temyllis Silva, atribuiu o crescimento da produção ao esforço conjunto de diversos agentes, destacando o papel do governo como fomentador do setor. Segundo ela, o comprometimento da governadora Mailza Assis e do deputado José Luis Tchê, grande incentivador do campo, tem sido fundamental.
“Nada disso seria possível sem a resiliência dos produtores rurais, que enfrentam os desafios climáticos com apoio de assistência técnica, insumos, mecanização e bons projetos”, ressaltou.
Temyllis enfatizou ainda que o Acre tem se destacado nacionalmente, reflexo das ações de incentivo e fortalecimento do setor.
“O estado surpreende em todos os sentidos. Nossos índices estão acima da média brasileira, o que torna a região atrativa para novos investimentos no agronegócio, graças às características únicas que possuímos.”
Confira o volume de produção:
Mandioca – 501.922 t
Milho – 137.689 t
Banana – 87.352 t
Soja – 59.724 t
Cana-de-açúcar – 10.289 t
Café – 6.969 t
Laranja – 5.228 t
Arroz – 4.052 t
Feijão – 2.769 t
Fumo – 120 t

Operação Amburana: resposta integrada contra o desmatamento
A reformulação da governança ambiental foi instituída pela Lei nº 4.749, de 29 de dezembro de 2025, que criou o Sistema Integrado de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas (SIMAMC). O novo modelo estabelece uma gestão integrada entre órgãos ambientais e forças de segurança, fortalecendo a coordenação institucional, otimizando o uso de recursos materiais e aprimorando a capacidade técnica na formulação e execução de políticas públicas ambientais no estado.
Com o objetivo de ampliar os resultados alcançados e avançar na redução do desmatamento em 2026, o governo do Acre deflagrou, no dia 23 de fevereiro, a Operação Amburana. A iniciativa integra o SIMAMC e é coordenada pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), em parceria com o Batalhão de Polícia Ambiental (BPA), o Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer) e o Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac).
A operação atua diretamente sobre alertas gerados por satélite, manifestações do Ministério Público (MP) e denúncias da população. Na primeira fase, as equipes fiscalizam 242 áreas em alerta de desmatamento distribuídas em cinco regionais estratégicas, com apoio terrestre e aéreo – sendo 64% das áreas localizadas em regiões de difícil acesso.
Foram mobilizados aproximadamente 30 agentes das forças ambientais e de segurança, duas aeronaves e dez veículos. As ações incidem sobre alertas de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (DETER) de novembro e dezembro de 2025 e de janeiro e fevereiro de 2026, além de denúncias e demandas do MP.



