Em 4 anos, Acre cresce 6 pontos em inovação: a construção de um novo ciclo de inovação no Acre

O debate sobre inovação no Acre precisa amadurecer. Mais do que olhar para posições em rankings, é necessário compreender a trajetória que o estado vem construindo nos últimos anos.

Entre 2021 e 2025, o Acre avançou de forma consistente nos indicadores de inovação e competitividade. Saímos das últimas posições e alcançamos a 20ª colocação no pilar de inovação no Ranking de Competitividade dos Estados, além de sermos o estado que mais evoluiu na Região Norte no Índice de Inovação.

Mas esse avanço não surgiu por acaso. Ele é resultado de um conjunto de decisões, investimentos e, principalmente, de uma mudança de visão: a compreensão de que inovação não é um tema isolado é um vetor estratégico de desenvolvimento econômico.

A construção das bases (2022–2025)

Durante o período em que estive à frente da Secretaria de Estado de Indústria, Ciência e Tecnologia (SEICT), trabalhamos com um objetivo claro: estruturar o ecossistema de inovação do Acre.

Um dos marcos mais importantes foi a construção e aprovação do Marco Legal da Inovação, que deu segurança jurídica e estabeleceu diretrizes para o desenvolvimento da ciência, tecnologia e empreendedorismo inovador no estado.

Outro avanço fundamental foi a criação do Conselho Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação, responsável por organizar a governança do setor e integrar governo, setor produtivo, academia e instituições de apoio.

Também atuamos na reestruturação da FAPAC, fortalecendo seu papel como instrumento de fomento, captação de recursos e apoio a projetos estratégicos. A fundação passou a operar de forma mais ativa, permitindo que o Acre ampliasse sua capacidade de acessar programas e investimentos nacionais.

No âmbito da infraestrutura, foi inaugurada a Infovia Acre, que conecta Cruzeiro do Sul até Assis Brasil em alta velocidade.

Paralelamente, iniciamos a construção de uma agenda estruturante, com projetos como o Hub de Inovação do Governo do Estado, o Parque Tecnológico Urbano de Rio Branco e iniciativas em parceria com SEBRAE, IFAC, UFAC e SENAI.

Essas ações tinham um objetivo comum: criar as condições para que a inovação deixasse de ser um conceito e passasse a ser uma realidade econômica.

Inovação também é cultura e conexão

Um dos aprendizados mais importantes desse processo é que inovação não nasce apenas em laboratórios ou centros de pesquisa. Ela nasce também da cultura, da conexão e da inspiração.

Por isso, o incentivo a eventos e movimentos ligados à tecnologia, economia criativa e empreendedorismo foi parte estratégica dessa agenda.

Apoiar iniciativas como eventos de startups, encontros de empreendedorismo, ações voltadas à juventude e ao universo gamer incluindo experiências como a Comic Nerd ajudou a aproximar a inovação da população, despertando talentos e criando novas perspectivas.

Esses espaços cumprem um papel essencial: conectar pessoas, ideias e oportunidades.

Um ecossistema que começa a dar resultados

Hoje, já é possível observar os primeiros sinais concretos desse trabalho.

O Acre passa a registrar o crescimento de startups locais, o surgimento de negócios inovadores e uma maior participação de jovens no universo tecnológico.

Mais do que números, isso representa uma mudança de mentalidade: o entendimento de que é possível empreender, inovar e crescer a partir do Acre.

2026: o ano da consolidação

Se os últimos anos foram de estruturação, 2026 tende a ser o ano da consolidação.

Projetos que foram planejados e iniciados começam a ganhar forma:

a implantação do Hub de Inovação do Governo do Estado;
o avanço do Parque Tecnológico Urbano de Rio Branco;
a maturação de iniciativas vinculadas à FAPAC, com fomento à pesquisa e inovação, como o Programa Centelha;

Democratização da Infovia;

A ampliação do INCUBAC do IFAC;
Os parques tecnológicos da UFAC Rio Branco e UFAC de Cruzeiro do Sul;
a consolidação de parcerias com IFAC, UFAC, SENAI e SEBRAE;
A gama de eventos promovidos por diversas instituições e movimentos ;
os efeitos dos investimentos já realizados, como o Hub SENAI.

Esses movimentos devem fortalecer ainda mais o ambiente de inovação e ampliar as oportunidades para empreendedores e investidores.

O desafio da fixação: reter talentos, startups, ideias e empresas no Acre

Existe, no entanto, um desafio que precisa ser enfrentado com clareza: a fixação dos talentos.

Ao longo dos últimos anos, ouvi de diversos empreendedores, desenvolvedores e fundadores de startups uma realidade recorrente a necessidade de sair do Acre para buscar oportunidades em estados mais estruturados, como Santa Catarina, São Paulo e outros.

Essa lógica precisa ser invertida.

O Acre não pode ser apenas um lugar onde as ideias nascem.
Precisa ser também o lugar onde elas crescem, se consolidam e geram riqueza.

E é exatamente nesse ponto que os investimentos e ações estruturantes ganham ainda mais importância.

A criação de um ambiente favorável com segurança jurídica, governança, financiamento, infraestrutura e conexão entre os atores é o caminho para garantir que pesquisadores, startups e empreendedores possam permanecer no estado, desenvolver seus negócios e prosperar aqui.

Mais do que atrair investimentos, precisamos reter talentos.

Mais do que incentivar ideias, precisamos transformá-las em negócios locais.

Mais do que formar pessoas, precisamos criar oportunidades para que elas fiquem.

O papel das parcerias

Nenhum desses avanços seria possível sem a atuação conjunta dos diversos atores do ecossistema.

Hoje, como membro do Fórum Empresarial de Inovação e Desenvolvimento do Estado do Acre, acompanho de perto esse esforço coletivo que envolve governo, setor produtivo, instituições de ensino, Sistema S e organizações de apoio.

A inovação no Acre deixou de ser responsabilidade de um único órgão e passou a ser uma construção compartilhada.

O olhar para 2027

Os investimentos realizados até aqui não têm efeito imediato eles são estruturantes.

Por isso, é natural que os impactos mais significativos sejam percebidos nos próximos ciclos.

Tudo indica que os avanços registrados até 2025 e a consolidação esperada em 2026 devem refletir em um novo salto nos indicadores em 2027.

Assim como já mencionei a 3 anos atrás, o Acre será o melhor ecossistema de inovação da região Norte.

Conclusão

O Acre ainda tem desafios importantes a superar. Mas o que mudou é a direção.

Hoje, existe uma base legal, uma governança estruturada, investimentos em andamento e um ecossistema que começa a se organizar e gerar resultados.

E, principalmente, existe uma oportunidade real de transformar o Acre em um território que não apenas forma talentos — mas que os mantém, os desenvolve e os transforma em agentes do próprio desenvolvimento.

De mãos dadas, instituições, empreendedores e sociedade seguem construindo esse novo caminho.
Um caminho em que inovar no Acre deixa de ser exceção e passa a ser escolha.

Por Assurbanípal Barbary de Mesquita

Ex Secretério de Estado de indústria, Ciência e tecnologia e membro do Forum Empresarial de Inovação e Desenvolvimento do Acre.

Tópicos:

Nossa responsabilidade é muito grande! Cabe-nos concretizar os objetivos para os quais foi criado o jornal Diário do acre