Em artigo, Valdir Perazzo diz que sua formação universitária omitiu autores liberais como Hayek e Mises

Eu assisti um vídeo do presidente Lula em que ele se referia ao deputado federal Eduardo Bolsonaro com muito ódio, chamando-o de “satanás”. Gotas veneno pelo canto da boca. Essa manifestação (rancorosa) de Lula contra um adversário, me provocou uma reflexão. Fez-me trazer à memória meus tempos de estudante carente, no início de minha vida universitária, na capital pernambucana. 

Recordei-me que uma ocasião – não tenho como precisar o ano nem o local em que o fato ocorreu –  vi dois jovens missionários americanos – acho que aquela dupla de jovens da crença dos mórmons, que faz trabalho missionário em outros países – pelos quais senti hostilidade e desejo de agressão, apenas por serem americanos. 

Eu não tinha nenhum motivo para ser tomado pelo sentimento de hostilidade por aqueles dois jovens, que não haviam feito nenhum mal a mim ou alguém de minha família. Refletindo hoje, depois que vejo o vídeo de Lula, concluo qual era a verdadeira causa do meu sentimento de hostilidade por aqueles rapazes: ódio aos Estados Unidos

Continuo me perguntando qual era a causa do meu ódio aos Estados Unidos. Eu era um jovem, no início da minha vida estudantil universitária, sem qualquer relação com o país, pelo qual sentia tamanha má vontade. Nunca tinha recebido qualquer ofensa de um americano! Os Estados Unidos não tinham contrariado nenhum interesse meu ou de qualquer um de meus parentes próximos. 

Continuei refletindo sobre o que se passava na minha alma naquele episódio que eu havia vivido fazia tantos anos. Lembrei-me que Pernambuco é o Estado mais comunista do Brasil. Na minha época, nos anos 70 e 80, do século passado – o que não é diferente nos dias de hoje – se respirava comunismo nos meios de comunicação e no ambiente universitário, bem como na Igreja Católica, liderada por Dom Hélder Câmara, autêntico representante da Teologia da Libertação. 

Não tenho dúvidas hoje! Tornei-me antiamericano ouvindo os meios de comunicação de massa. Tornei-me antiamericano ouvindo o que diziam os líderes do movimento universitário, que à época estavam reorganizando as entidades estudantis – especialmente a União Nacional dos Estudantes -, em clima de absoluta radicalização contra o regime militar. Tornei-me antiamericano ouvindo o que diziam os representantes da Teologia da Libertação, sob a liderança (repito) de Dom Hélder.   

Uma vez assimilado esse sentimento hostil ao Estados Unidos, e que não foi resultado de reflexão racional decorrente leituras, com ele convivi por muitos anos. Só por uma verdadeira conversão nos últimos 10 (dez) anos, me libertei dessa raiva contra os Estados Unidos, raiva que não tinha nenhuma razão para sua existência. Só me fazia mal e era resultado da convivência com a esquerda, com cujos integrantes, passei a me identificar. Comungar de suas ideias perversas.   

Uma vez convertido, mudei o foco da minha vida intelectual e espiritual. Estudei numa faculdade de Economia em Pernambuco em meados dos anos 70. Em 1974 F.A. Hayek havia ganho o prêmio Nobel de Economia. Nunca ouvi falar nesse economista na Universidade! Nunca tinha ouvido falar Ludwig Von Mises.  O curso de economia da Universidade Federal de Pernambuco tinha até uma cadeira de “marxismo”.  

Com Ludwig Von Mises aprendi que uma pessoa só permanece comunista se não entender nada de economia. Foi esse economista da Escola Austríaca quem demonstrou, com o estudo do cálculo econômico, que sem preços de mercado definidos pela lei da oferta e da procura, é impossível calcular racionalmente os custos de produção, a alocação de recursos e o que a sociedade realmente precisa. Logo, o comunismo (economia planejada), não pode dar certo.  

Tive oportunidade também de ler um livro do economista americano (Milton Friedman), intitulado “Livre para Escolher”, em que defende a tese (com a qual eu concordo), de que a propriedade privada e o lucro são os principais motores da inovação e da eficiência produtiva. Sem propriedade privada e sem lucro, não haveria incentivo para o trabalho árduo ou para assumir riscos. 

No campo espiritual, a obra do venerável Fulton Sheen teve grande papel para me libertar dos grilhões do comunismo, e, consequentemente, do ódio aos Estados Unidos. Fulton Sheen foi uma das vozes mais ouvidas do seu tempo. Seu programa de TV (Your Life Is Worth Living), ganhou o prêmio Emmy, dada à sua importância para a cultura norte-americana. A Vida de Cristo do notável autor teve papel fundamental na minha vida. Para ele o comunismo não passa de uma seita que aprisiona os que a professam.  

Enfim, me libertei do ódio aos Estados Unidos com a leitura das obras da Escola Austríaca, bem como com a leitura, dentre outros, do venerável Fulton Sheen. Por ignorância, minha raiva contra os Estados Unidos se potencializava com a leitura de autores da Teologia da Libertação. Passei a conhecer melhor todo o manancial do Catolicismo que eu desconhecia, preso que estava à essa seita (Teologia da Libertação). 

Depois que vi Lula chamando Eduardo Bolsonaro de satanás, pude perceber um outro ângulo da questão. O ódio de Lula, ao fim e ao cabo, não é contra Eduardo Bolsonaro. O ódio de Lula é contra os Estados Unidos.  Se Eduardo Bolsonaro estivesse em Cuba ou na China, fazendo o mesmo trabalho, para Lula ele seria um herói. 

Ora, Lula é o líder de uma nação. Um jovem eleitor de Lula, que tenha visto o mesmo vídeo que eu assisti, com certeza, será influenciado, e vai passar a ter (sem motivo) ódio pelos Estados Unidos, prejudicando seus próprios interesses. Na eventualidade de ter que complementar sua educação nos Estados Unidos, sua biografia vai estar maculada naquele país que é a maior potência do mundo, e líder na defesa de valores ocidentais: judaico-cristãos. 

Pessoas que se candidatam para morar ou trabalhar nos Estados Unidos agora serão examinados quanto ao “antiamericanismo”, incluindo a verificação de suas redes sociais, é o que dizem as autoridades americanas. Haverá um endurecimento das restrições que atingirão aos que quererem usufruir do que pode proporcionar uma nação poderosa e rica como os Estados Unidos, sem abrir mão de falar mal do país. 

Não podemos esquecer o que aconteceu com o ex-ministro Roberto Barroso. Toda sua formação foi nos Estados Unidos. Para aquele pais viajava com frequência e onde ministrava palestras. Seus dois filhos lá estudaram e trabalhavam. Mas, o ex-ministro achava que aqui no Brasil não precisava ter coerência com os valores americanos. Não pode mais entrar nos Estados Unidos. 

Depois que assisti o vídeo de Lula, alertei meus filhos para que jamais tenham qualquer má vontade contra os Estados Unidos. Pelo contrário – lhes disse – amem os Estados Unidos. É a pátria da liberdade. É a nação mais importante do mundo. À propósito, recomendei que conhecessem a História e a literatura americana, recomendando à Laura de 14 anos, que lesse a alentada biografia de “Alexander Hamilton”, de Ron Chernow e “Democracia na América” de Tocqueville. 

Viva a América e sua cultura da liberdade

Tópicos:

Nossa responsabilidade é muito grande! Cabe-nos concretizar os objetivos para os quais foi criado o jornal Diário do acre