O senador Marcio Bittar (PL) afirmou nesta quarta-feira, 20, que a população amazônica enfrenta abandono social mesmo vivendo em uma das regiões mais ricas do país. A declaração foi feita durante evento com o deputado federal Nikolas Ferreira no auditório da Uninorte, em Rio Branco.
Bittar disse que a visita de Nikolas ao estado representa uma oportunidade de ampliar nacionalmente o debate sobre a realidade da Amazônia. “Eu estou um pouco comovido, porque é uma luta árdua, e a gente fala muitas vezes a mesma coisa ao longo de décadas”, declarou o senador.
Durante o discurso, Bittar criticou as condições de vida enfrentadas por indígenas e moradores de reservas extrativistas no Acre. “Não é possível a gente viver com uma região tão rica e ver tanta necessidade”, afirmou. O senador também mencionou relatos de fome entre povos indígenas no interior do estado. “Não pode indígenas terem 14% do território nacional e a gente ver indígenas passando fome”, disse.
Bittar também denunciou o que chamou de insegurança jurídica imposta a famílias que vivem em áreas de reserva. Segundo ele, a criação de unidades de conservação transformou moradores tradicionais em invasores de suas próprias terras. “O Estado brasileiro fez essas pessoas serem invasoras”, declarou. Para o senador, a forma como a Amazônia é retratada pela mídia nacional e internacional ignora o sofrimento de quem vive na região. “A mídia brasileira e mundial fala da floresta toda hora, floresta toda hora, e quase nunca se vê uma matéria falando da vida de quem vive aqui dentro”, afirmou.
O senador questionou ainda os indicadores usados para medir desenvolvimento na Região Norte e apontou uma contradição: estados com altos índices de preservação ambiental figuram entre os mais pobres do país. “O Amazonas tem quase 90% de preservação e nós nos tornamos a região mais pobre do Brasil”, disse. Para Bittar, a população local paga um preço alto por uma agenda ambiental que não se traduz em melhoria de vida.
“Quando eu comecei isso, você nem tinha nascido”, afirmou, dirigindo-se a Nikolas. O senador reconheceu que sua voz tem alcance limitado e apostou no deputado para ampliar a visibilidade das causas que defende. “A nossa voz não chega aonde a sua chega”, declarou.


