Moraes diz que ‘políticos que não têm voto’ usam STF como ‘escada eleitoral’

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes criticou, nesta terça-feira, 28, o que classificou como o uso da Corte por políticos como “escada eleitoral” para ampliar a visibilidade nas redes sociais. “Querem likes“, disse.

As declarações foram feitas durante julgamento na 1ª Turma do STF envolvendo de denúncia apresentada pelo deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO) contra o também deputado federal José Nelto (União Brasil-GO), acusado de injúria e calúnia. O colegiado rejeitou a denúncia do parlamentar liberal.

Segundo Moraes, parlamentares de diferentes espectros ideológicos têm adotado uma estratégia de confronto público com o objetivo de gerar engajamento para campanha eleitoral. “Cada um repercute nas suas redes sociais”, afirmou o integrante do Supremo. “Cada um tem muitos likes e conseguem elevar o conhecimento público a seus nomes.”

Para o ministro, essa prática passou a atingir diretamente o STF e seus integrantes. “Políticos que não têm voto necessário para atingir as candidaturas que querem, acabam querendo ofender o Poder Judiciário, acabam querendo ofender a honra, a dignidade dos membros do Poder Judiciário”, declarou, citando que pesquisas da semana para sugerir que a estratégia não está dando certo. “Utilizando-nos como escada eleitoral.”

Moraes não citou nomes

A reclamação do ministro não foi direcionada a alguém em específico. As críticas, no entanto, ocorrem em meio a episódios recentes envolvendo pré-candidatos à eleição de 2026. Na última semana, por exemplo, o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), publicou um vídeo com críticas, em tom de sátira, à atuação do ministro Gilmar Mendes. O caso levou o decano do STF a enviar uma notícia-crime com pedido de inclusão de Zema no Inquérito das Fake News, sob relatoria de Moraes.

Sem citar nomes, o ministro afirmou que a estratégia tem substituído o debate sobre políticas públicas. “Ao invés de discutir saúde, educação, segurança pública, ao invés de discutir o que fizeram em seus mandatos, querem pegar uma escada numa suposta polarização contra o Supremo Tribunal Federal”, prosseguiu Moraes. “Não com críticas, mas com agressões verbais.”

Na avaliação de Moraes, esse tipo de conduta extrapola o embate político. De acordo com ele, isso poderia, em outros contextos, ser enquadrado como “assédio moral”.

As críticas ao magistrado se ampliaram desde que foi relevado um contrato no valor de R$ 129 milhões do escritório da mulher dele, a advogada Viviane Barci de Moraes, com o Banco Master. Além disso, revelou-se mensagens de Daniel Vorcaro, ex-dono do Master, trocadas com Moraes no dia da primeira prisão do ex-banqueiro, em novembro do ano passado.

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