Nova tarifa atingiria 27% das exportações brasileiras aos EUA, diz consultoria

As novas tarifas de 25% sobre produtos brasileiros vendidos aos EUA, da seção 301, atingiriam 26,9% das exportações brasileiras, com destaque para a indústria de transformação brasileira, segundo cálculo do economista Sergio Vale, da consultoria MB Associados.

Os principais produtos afetados serão máquinas e equipamentos (dos quais o Brasil exportou US$ 2,36 bilhões no ano passado), madeira e manufaturados (US$ 1,24 bilhão vendidos em 2025) e produtos elétricos, como transformadores (cerca de US$ 920 milhões), segundo Vale.

“Basicamente foram afetados produtos industrializados. Cerca de um quarto dos impactados são máquinas e equipamentos”, afirma.

A estimativa do economista é que as isenções da lista da investigação da seção 301 representam US$ 21,2 bilhões, ou 56,3%, do total de US$ 37,7 bilhões que foram vendidos pelo Brasil aos Estados Unidos no ano passado.

Outros 16,8% estão sendo investigados em outra seção da legislação americana, a 232, como produtos de aço, veículos e autopeças, alumínio, derivados de aço e cobre, e portanto não estão nem isentos nem expostos à nova tarifa.

O economista avalia que apesar do presidente americano, Donald Trump, acreditar que as tarifas estimularão a produção interna, isso apenas encarece os produtos ao consumidor americano, tornando a economia dos EUA menos eficiente.

“Nesse sentido, era esperado que houvesse um aprendizado em evitar taxar aquilo que causa processo inflacionário imediato por não ter substituto doméstico, mas continua a ideia equivocada de que os EUA produzirão mais desses produtos que vão deixar de comprar do Brasil.”

Para ele, o momento é de buscar novos mercados. “Para as empresas brasileiras desses produtos é seguir no processo de buscar novos mercados, pois no governo Trump eles serão penalizados durante todo o tempo.”

O governo Trump concluiu a investigação da seção 301 contra o Brasil e propôs novo tarifaço de 25% sobre bens importados do país. A investigação acontece por meio do USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA), que fez a sugestão de um novo tarifaço como resposta ao que vê como práticas comerciais injustas do Brasil.

A decisão sobre aplicação ou não cabe ao presidente dos EUA, Donald Trump. Agora, o USTR vai abrir uma consulta para que o setor privado comente os resultados antes da elaboração do relatório definitivo, que precisa ser publicado até 15 de julho.

A sugestão exclui uma ampla lista de bens considerados estratégicos para a economia dos Estados Unidos ou cuja oferta doméstica é insuficiente.

Entre eles estão diversos alimentos e produtos agropecuários, como carne bovina, suco de laranja, castanha-do-pará, castanha de caju, coco, banana, manga, mamão, abacaxi, laranja, limão e outras frutas tropicais.

O anexo também preserva matérias-primas e produtos que poderiam causar problemas de abastecimento ou aumento de preços caso fossem taxados. O próprio USTR afirma que as isenções abrangem itens cuja tributação poderia provocar interrupções econômicas mais amplas, além de produtos que não podem ser produzidos nos EUA em quantidade suficiente ou obtidos facilmente de outros fornecedores. Outro destaque é a exclusão da indústria aeronáutica.

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