A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quinta-feira (9) a 10ª fase da Operação Compliance Zero, que apura supostas fraudes envolvendo o Banco Master. O empresário Thiago Miranda foi alvo de buscas em ação que visa averiguar a suspeita de ação coordenada nas redes sociais para atacar o Banco Central e possível estrutura de intimidação de jornalistas, de monitoramento ilegal, de obtenção de informações sigilosas e de interferência em investigações criminais.
A operação se deu após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), acatar o pedido da PF de busca e apreensão contra Thiago Miranda. Ao magistrado, a corporação argumentou ser necessária a medida para investigar ‘eventuais delitos’ que teriam sido praticados em ‘coautoria’ com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
Em petição enviada a Mendonça, a PF afirmou que recursos oriundos do suposto esquema de fraudes do Banco Master teriam sido utilizados para promover campanha de desinformação na mídia tradicional e digital.
Segundo a corporação, Thiago Miranda teria atuado no recrutamento de influenciadores com “emprego de táticas aptas a configurar, em tese, práticas assemelhadas a assédio e intimidação”.
A PF disse também que materiais analisados na investigação mostraram, por meio da estrutura, atividades de:
- Derrubada de conteúdos jornalísticos e perfis em redes sociais;
- Inserção coordenada de comentários positivos a favor dos negócios do Banco Master;
- Elevação artificial de avaliações de aplicativos e de negociações financeiras com empresas e profissionais da imprensa para publicação de conteúdos favoráveis ou mitigação de reportagens negativas;
- Ataques cibernéticos;
- Pressão por meio de canais de autoridades ou sobrecarga coordenada para retirar do ar links e publicações consideradas prejudiciais ao grupo.
Entenda o caso Master
Após identificar indícios de irregularidades financeiras e a grave crise de liquidez, o Banco Central determinou, em 18 de novembro, a liquidação extrajudicial de:
- Banco Master S/A;
- Banco Master de Investimentos S/A;
- Banco Letsbank S/A;
- Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários.
Em 21 de janeiro, o Will Bank, braço digital do Master, teve o seu encerramento forçado.
O processo de liquidação foi acompanhado pela Operação Compliance Zero. Também em 18 de novembro, a PF deflagrou a primeira fase da ação para combater a emissão de títulos de crédito falsos por instituições que integram o Sistema Financeiro Nacional (SFN). Diante da possibilidade de fuga, Vorcaro foi preso um dia antes. O banqueiro foi solto depois com o uso de tornozeleira eletrônica. Em 4 de março, ele foi detido novamente.
Segundo as investigações, a instituição financeira oferecia Certificados de Depósitos Bancários (CDB) com rentabilidade muito acima do mercado. Para sustentar a prática, o Banco Master passou a assumir riscos excessivos e estruturar operações que inflavam artificialmente o seu balanço financeiro, enquanto a liquidez se deteriorava.
Os episódios do Banco Master e da gestora de investimentos Reag, liquidada em 15 de janeiro, são os mais graves do sistema financeiro brasileiro. Os casos envolvem, além das fraudes, tensões entre o STF e o Tribunal de Contas da União (TCU), bem como com o Banco Central e a PF.
Em 17 de janeiro, o FGC iniciou o processo de ressarcimento aos credores do Banco Master, Banco Master de Investimento e Banco Letsbank. O valor total a ser pago em garantias soma R$ 40,6 bilhões.


