A secretária de Estado de Agricultura do Acre, Temyllis Silva, participou do podcast “Dedin de Prosa”, do Portal Acre, nesta segunda-feira, 19. Em entrevista com os jornalistas Leônidas Badaró e Fredson Camargo, a titular da Seagri defendeu que a cafeicultura vêm caminhando lado a lado com o desenvolvimento social e econômico do estado. Ao reconhecer o potencial dessa cadeia produtiva, a secretária enfatizou que é responsabilidade do poder público criar políticas que visem a expansão da produção de café no Acre, e que garantam melhores condições de trabalho para os produtores rurais. “Se o Estado não atrapalhar, o produtor anda. Se o Estado ajudar, ele voa,” defendeu Temyllis.
Com essa perspectiva, a secretária reconheceu que, devido ao seu tamanho reduzido e às áreas de cultivo limitadas, a produção de café no estado jamais poderia competir com grandes centros agrícolas em termos de volume de produção. A solução encontrada pelo Estado foi de, então, investir na qualidade do café, incorporando ao produto acreano o selo amazônico, a preservação ambiental, a tecnologia e a assistência técnica. “Nós nunca iríamos disputar em quantidade. Nós precisávamos dar ao produtor as condições para que ele pudesse disputar em qualidade”, explicou Temyllis, destacando que foi nesse contexto que a Secretaria de Agricultura criou o QualiCafé em 2023, um concurso de qualidade que nasceu para reconhecer os melhores grãos do estado e preparar os produtores para os mercados nacionais e internacionais.
Para viabilizar esse projeto, Temyllis explicou que a Seagri firmou uma parceria estratégica com o Sebrae, que levou os produtores acreanos para a Semana Internacional do Café, em Belo Horizonte. A primeira participação, segundo ela, foi marcada pela falta de estrutura, mas também por uma grande vontade de aprender. No ano seguinte, houve uma expansão da produção de café e os produtores foram reconhecidos, o que impulsionou ainda mais o projeto. “No primeiro ano, fomos para a Semana Internacional do Café e não tínhamos estande. No ano seguinte, a decisão foi diferente: os finalistas do concurso passaram a ter um estande próprio para apresentar o café acreano ao mundo, já que a feira mineira é um dos principais eventos do setor no planeta,” destacou.
Para garantir que os produtores chegassem a esse patamar, a secretária destacou os grandes investimentos em capacitação e qualificação técnica. O trabalho do Qualicafé incluiu cursos de colheita, pós-colheita e seleção de grãos, além do suporte de instituições como a Embrapa de Rondônia, a Secretaria de Agricultura de Rondônia e a Emater. Para Temyllis a produção de café não se resume a secar o fruto no pé, mas também envolve uma cadeia complexa de cuidados para entregar um produto de excelência. “Houve um investimento pra você preparar o produtor, não é só colocar”, afirmou.
A transformação na vida de quem planta foi, segundo a secretária, o maior resultado de todo esse trabalho. Temyllis enfatizou que a cafeicultura tem dado dignidade às famílias do campo, permitindo que elas sonhem com oportunidades que antes pareciam distantes. “Não dá mais pro produtor no estado do Acre, no coração da Amazônia, não sobreviver da própria terra. Nós precisávamos encontrar culturas que dessem ao produtor a condição de ter dignidade, de viver bem, de sonhar em mandar um filho pra uma faculdade, de fazer uma viagem de férias, de sonhar em comprar uma caminhonete nova”, concluiu a secretária.


