Valterlucio Campelo: “Ele não queria ir. Foi porque mandei”. Lula da Silva

“Jorge não queria voltar pro Acre, mas precisamos de uma vaga no Senado. Ele teve que ir”. Com uma frase assim, pronunciada em cerimônia oficial, Lula da Silva desconstruiu, pôs a nu, toda a farsa que o candidato esquerdista vinha apresentando aos acreanos incautos. A estratégia (já mostrei antes), de conquistar um voto neutro, desideologizado, foi por terra.

Frente a um cenário polarizado no qual entra em desvantagem de 2 para 1, Jorge e sua marquetagem percebeu que sua única chance seria convencer o eleitor de que ele morria de saudades dos seringais, dos rios, das aldeias, das colônias e assim por diante. “Um filho ilustre, moído de amor pelos acreanos volta para resolver os problemas criados pelos outros”, já que ele havia entregado um Estado maravilhosamente administrado, com pleno emprego, com o povo mais feliz da Amazônia, blá, blá, blá.

De outra parte, “nada de ideologia”. De repente, até a claque de seus encontros foi proibida de vestir vermelho. Bandeira com estrela petista, nem pensar. Discursos com viés de esquerda, para quê? Referência à fracassada Florestania, nem à força. Um Jorge despetizado, asséptico, neutro como shampoo de bebê, apareceu humildemente, vestido de branco, visitando adversários e servindo cafezinho gourmetizado acompanhado de lábia poderosa. O objetivo, sem a menor dúvida, era ludibriar o eleitor com a persona, enquanto por trás da máscara, recrudescia o esquerdista mais servil à causa. Veio, como já havíamos antecipado, a serviço de sua ideologia, de seu partido e do Lula da Silva.

Ao mesmo tempo, reuniões fechadas com os figurões. O PIB acreano, que ao seu tempo mereceu as regalias, favores e concessões vianistas, foi chamado a ouvir a ladainha de “quando eu era, quando Binho era, quando Tião era”. Uma espécie de cobrança acompanhada de promessa de retorno aos velhos tempos. “Vocês todos se deram bem comigo, então me ajudem a voltar”. Empresário que se preza não foge de oportunidades, e quem faliu, foi embora, ou morreu quebrado, não conta.

Com o itinerário planejado, o que Jorge Viana não contava era que o Lula, boquirroto como sempre, se danasse a falar verdades fora de hora. Sim, Jorge queria mesmo era estar flanando ao melhor estilo francês, em viagens ao redor do mundo, entre Bruxelas, Paris e Nova Yorque. A vida que nem o Lula pode ter, já que precisa pelo menos aparentar que está trabalhando efetivamente. 

O petista acreano mais ilustre só está aqui porque foi pego pelas bitacas e recebeu a incumbência. Sabendo que ninguém mais teria alguma chance no pleito acreano deste ano, o capo dei capi demandou que Jorge largasse a boa vida e fosse pro Acre buscar uma vaga no Senado.

Com essa ordem, desembarcou o candidato. Carta branca, caneta com tinta e uma persona capaz de dizer que não é de esquerda, que não quer saber de ideologia, embora esteja exclusivamente à serviço dela. Uma vaga no senado é tudo que importa neste momento, mesmo que seja necessário mexer certos pauzinhos justos e tirar da cena o preferido nas pesquisas.

Tudo isso ocorre, lembremos, porque a esquerda dependerá, no próximo ano, de maioria no Senado. Eleger o presidente da Casa significa garantir o controle da pauta, engavetar pedidos de impeachment, nomear ministros do STF, atacar a liberdade de imprensa, impedir a caça aos grupos terroristas “nossos criminosos” e assim por diante. Em certa medida, a maioria do Senado vale mais do que a própria presidência. É disso que se trata.

Esqueçam, portanto, a ladainha de todo dia que vem do petismo no sentido de resgatar o Acre maravilha (coisa de tonto) que existia antes. Lembrem-se que a eleição para o senado pode ser o fortalecimento da esquerda e de sua ideologia assassina e perversa, provada recentemente na prisão de milhar de inocentes, velhos, mulheres e doentes por um crime que não cometeram. O amor de petista não é ao Acre, é ao PT.

Valterlucio Bessa Campelo escreve semanalmente nos sites AC24HORAS, DIÁRIO DO ACRE, ACRENEWS e, eventualmente, no site Liberais e Conservadores do jornalista e escritor PERCIVAL PUGGINA, no VOZ DA AMAZÔNIA e em outros sites. Seu último livro, o ensaio político-filosófico “O anel progressista: como o poder tutelar se torna invisível”, está à venda pela editora independente UICLAP

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