Boi gordo atinge R$ 360/@, indicador sobe mais de 5% e pode testar novos recordes

mercado do boi gordo encerra fevereiro consolidando um cenário que poucos apostavam no início do ano: preços acima dos R$ 350/@ em São Paulo, indicador Cepea/Esalq com alta superior a 5% no mês e escalas de abate cada vez mais curtas. A combinação entre oferta restrita de animais terminados, bom escoamento interno e forte ritmo das exportações sustenta um ambiente de firmeza que deve marcar a virada para março.

Levantamento recente mostra que o mercado físico voltou a registrar elevação nas cotações no encerramento da semana, em linha com a dificuldade da indústria em compor suas escalas. Segundo análise da Safras & Mercado, as programações de abate seguem encurtadas, variando entre cinco e sete dias úteis na média nacional , o que amplia o poder de barganha do pecuarista.

Ao mesmo tempo, dados compilados apontam que, em várias praças, as escalas estão ainda mais ajustadas, entre quatro e cinco dias, de acordo com levantamento da Agrifatto. Esse aperto na oferta tem sido o principal combustível das altas sucessivas.

Boi gordo em São Paulo acima de R$ 350 e negócios a R$ 360/@

Em São Paulo, a arroba superou a faixa dos R$ 350 ao longo da semana de Carnaval . Houve registro de negócios pontuais a R$ 360/@ no mercado físico paulista , embora o patamar de R$ 355/@ ainda não esteja totalmente consolidado como referência, segundo a Agrifatto .

Os dados mostram que, no fechamento mais recente:

  • São Paulo: média de R$ 355,00 – 360,00/@
  • Goiás: R$ 333,04/@
  • Minas Gerais: R$ 338,53/@
  • Mato Grosso do Sul: R$ 333,18/@
  • Mato Grosso: R$ 329,59/@

Além disso, 10 das 17 praças monitoradas pela Agrifatto registraram valorização no último levantamento semanal , evidenciando um movimento relativamente disseminado pelo país.

Oferta curta, pecuarista cadenciando vendas

O pano de fundo desse movimento é claro: baixa disponibilidade de animais terminados. Analistas destacam que a oferta pode ser descrita como “anêmica”, dificultando a formação das escalas .

As boas condições de pastagem em diversos estados permitem ao produtor segurar o gado e negociar com mais estratégia . Isso reduz a pressão de venda imediata e reforça o ambiente altista.

Mesmo a expectativa tradicional de maior descarte de fêmeas em março não deve provocar pressão relevante neste ano, segundo análise da Scot Consultoria, uma vez que os preços da reposição seguem estimulantes e os repasses ao produtor estão interessantes .

Exportações aceleradas e recordes no radar

Se a oferta interna está ajustada, o lado da demanda internacional ajuda a sustentar as cotações. Em fevereiro (até 10 dias úteis), as exportações brasileiras de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada renderam US$ 765,369 milhões, com média diária de US$ 76,537 milhões .

Foram embarcadas 136,8 mil toneladas no período, com preço médio de US$ 5.594,80 por tonelada . Na comparação com fevereiro de 2025, houve:

  • Alta de 63,1% no valor médio diário exportado
  • Ganho de 43,7% na quantidade média diária
  • Avanço de 13,5% no preço médio

Mesmo com salvaguardas chinesas limitando compras a 1,1 milhão de toneladas, analistas avaliam que o efeito acabou sendo inverso ao esperado, com aceleração das aquisições por parte dos importadores .

Indicador Cepea sobe mais de 5% em fevereiro

O ambiente firme também aparece nos números oficiais. O Indicador do boi gordo CEPEA/ESALQ registra alta superior a 5% em fevereiro, operando em torno de R$ 340 por arroba.

Pesquisadores do Cepea atribuem a sustentação dos valores à menor disponibilidade de animais prontos para abate e ao bom escoamento da carne nos mercados interno e externo .

Curiosamente, esse movimento no mercado do boi gordo ocorre mesmo após 2025 ter registrado 42,5 milhões de cabeças abatidas, um recorde histórico, com crescimento expressivo frente aos anos anteriores . O forte desempenho das exportações ajudou a absorver essa oferta ampliada ao longo do ano passado .

Atacado firme, mas consumo doméstico ainda exige cautela

No mercado atacadista, os preços seguem firmes . Os valores recentes indicam:

  • Quarto traseiro: R$ 26,50/kg
  • Ponta de agulha: R$ 19,50/kg
  • Quarto dianteiro: R$ 20,00/kg

Ainda assim, há expectativa de possível dificuldade de sustentação no curtíssimo prazo, em função de reposição mais lenta e consumo doméstico tradicionalmente mais fraco após o pico de renda sazonal . Além disso, a carne bovina segue enfrentando concorrência da proteína de frango .

Boi gordo: O que esperar de março?

Com escalas encurtadas, exportações aquecidas, indicador em alta e negócios já acima de R$ 350/@, o mercado do boi gordo entra em março com viés firme. A B3 pode operar em níveis elevados, refletindo a restrição de oferta observada ao longo de fevereiro .

O ponto de atenção segue sendo o consumo interno e a evolução do ciclo pecuário nos próximos meses. No entanto, no curto prazo, o conjunto de dados aponta para um cenário de sustentação — e não de correção abrupta — das cotações.

Para o pecuarista, o momento é de atenção estratégica: a arroba volta a trabalhar em patamares historicamente relevantes, mas o equilíbrio entre oferta e demanda continuará sendo o fiel da balança no início do segundo trimestre.

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