A prisão de Alexandre Ramagem (PL-RJ), nos Estados Unidos, abriu uma divergência de versões entre aliados do ex-deputado e a Polícia Federal (PF).
Conforme o entorno de Ramagem, ele foi parado por agentes locais depois de uma suposta infração leve de trânsito.
Nessa leitura, a condução ao serviço de imigração norte-americano teria ocorrido apenas após a verificação da documentação.
A PF, no entanto, sustenta que a detenção de Ramagem ocorreu no contexto de uma cooperação internacional articulada ao longo de meses. De acordo com a PF, o monitoramento do ex-deputado vinha ocorrendo antes da abordagem.
Embora sob custódia das autoridades, Ramagem tem um pedido de asilo político pendente de análise. A defesa dele já entrou com pedido de soltura.
Paralelamente, o Itamaraty requereu sua extradição, em virtude de condenação pelo STF na suposta trama golpista, ainda sem desfecho.
Como a PF teria chegado ao endereço
A partir desse elemento, agentes passaram a acompanhar deslocamentos associados ao automóvel.
O monitoramento permitiu delimitar o endereço onde o ex-deputado estava hospedado em Orlando.
Antes disso, segundo integrantes da investigação, Ramagem permaneceu inicialmente na região de Miami e depois mudou de residência dentro do Estado da Flórida.
Cooperação entre Brasil e Estados Unidos, segundo a PF
A operação teria tido apoio direto de autoridades norte-americanas, além da atuação de um policial federal brasileiro que exerce função em Miami, disse a PF.
Nas semanas que antecederam a abordagem, houve reuniões entre equipes dos dois países para troca de informações e definição de estratégias.
Segundo relatos da investigação, a detenção ocorreu na sequência da verificação da situação migratória do ex-deputado por agentes do serviço de imigração norte-americano.
Ramagem foi então encaminhado a uma unidade sob responsabilidade do Immigration and Customs Enforcement.
A PF afirma que o cancelamento do passaporte diplomático do ex-deputado contribuiu para restringir sua mobilidade internacional.
Investigadores também relataram que houve tentativa de obtenção de medida judicial específica nos EUA relacionada ao uso de documento considerado inválido na compra de um veículo. O pedido não foi acolhido.
Apesar disso, o monitoramento seguiu até a detenção realizada por autoridades migratórias.


