Boi gordo resiste à pressão dos frigoríficos e inicia semana com mercado mais firme

O mercado do boi gordo inicia a semana em um ambiente de forte disputa entre frigoríficos e pecuaristas. Enquanto as indústrias tentam reduzir os preços pagos pela arroba, os produtores seguem adotando uma postura cautelosa, limitando a oferta de animais prontos para abate e dificultando recuos mais expressivos nas cotações.

O principal fator por trás desse movimento é o esgotamento antecipado da cota de exportação para a China, principal destino da carne bovina brasileira. A situação tem provocado mudanças importantes na estratégia das empresas exportadoras, que agora buscam ajustar seus custos diante de um cenário menos favorável para os embarques.

Segundo o analista Fernando Henrique Iglesias, da Safras & Mercado, muitas indústrias, especialmente aquelas mais dependentes do mercado chinês, passaram a intensificar a pressão sobre o mercado físico. A redução temporária dos embarques obriga os frigoríficos a reverem seu ritmo de produção e amplia a ociosidade em algumas plantas industriais.

Diante desse cenário, a estratégia tem sido buscar animais para abate em patamares mais baixos. A expectativa do mercado é de que as tentativas de compra com preços reduzidos continuem ao longo das próximas semanas, principalmente enquanto persistirem as incertezas relacionadas às exportações.

Apesar disso, os pecuaristas seguem resistindo. Muitos produtores optaram por reter os animais e evitar negociações em um momento considerado desfavorável, apostando na manutenção dos preços e em uma possível melhora do mercado mais adiante.

Levantamento da Agrifatto mostra que o volume de negociações ainda não foi suficiente para ampliar significativamente as escalas de abate. A média nacional permanece próxima de oito dias, um indicativo de que a oferta segue ajustada e distante de um cenário de abundância.

Na avaliação dos analistas, essa postura dos produtores impede uma queda mais acentuada da arroba. Com menos animais disponíveis, os frigoríficos encontram dificuldades para exercer pressão mais forte sobre os preços, alimentando uma disputa direta entre compradores e vendedores.

A Scot Consultoria também observa um mercado cauteloso. Segundo a empresa, os frigoríficos têm comprado apenas o necessário para atender suas programações imediatas, sem demonstrar urgência em ampliar estoques. Ao mesmo tempo, parte dos pecuaristas mantém firmeza nas negociações.

No fechamento da última semana, as principais praças pecuárias registraram leves recuos nas cotações. Em São Paulo, a arroba foi cotada a R$ 345,92. Em Goiás, o valor ficou em R$ 323,39, enquanto Minas Gerais registrou R$ 325,35. Já Mato Grosso do Sul apresentou cotação de R$ 341,36 e Mato Grosso encerrou a semana em R$ 342,77 por arroba.

No mercado paulista, a Scot Consultoria apontou o boi gordo comum cotado a R$ 348 por arroba, enquanto o chamado Boi-China foi negociado a R$ 353. A vaca gorda fechou em R$ 322 e a novilha terminada em R$ 335 por arroba.

No mercado interno, o consumo segue relativamente acomodado, embora exista expectativa de melhora pontual nas próximas semanas. A demanda sazonal típica do período e a movimentação do varejo impulsionada pelos jogos da seleção brasileira podem favorecer a comercialização da carne bovina. Ainda assim, a concorrência com proteínas mais baratas, especialmente a carne de frango, continua limitando reajustes ao consumidor.

Enquanto o mercado físico enfrenta pressão, os contratos futuros indicam maior otimismo. O contrato do boi gordo com vencimento em agosto de 2026 encerrou o pregão da B3 cotado a R$ 335,35 por arroba, com valorização de 0,37%. O cenário atual evidencia uma verdadeira queda de braço entre frigoríficos e pecuaristas. De um lado, a indústria tenta impor preços menores diante das dificuldades no mercado externo. Do outro, os produtores administram a oferta e sustentam as cotações. O comportamento das exportações e a capacidade dos pecuaristas de manter a oferta ajustada serão determinantes para definir os rumos do mercado nas próximas semanas.

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