O prejuízo dos Correios em 2025 demonstra que a crise financeira da estatal está se agravando. A empresa registrou, em 2025, rombo de R$ 8,5 bilhões, mais que o triplo do déficit de R$ 2,6 bilhões em 2024. O resultado amplia uma sequência de 14 trimestres consecutivos de resultados negativos iniciada no fim de 2022.
Grande parte do resultado foi pressionada pela forte alta nas despesas judiciais, segundo a empresa. O pagamento de precatórios decorrentes de decisões transitadas em julgado somou R$ 6,4 bilhões, valor 55% superior ao registrado no ano anterior, de R$ 4,1 bilhões. A direção argumenta que parte dessas obrigações se refere a passivos herdados de gestões anteriores.
O quadro nos Correios se agravou também com a queda das receitas. A receita bruta recuou para R$ 17,3 bilhões, retração de 11,35% em relação a 2024. O principal impacto veio da redução no fluxo de encomendas internacionais, que caiu cerca de 66% depois de mudanças nas regras de tributação sobre importações de baixo valor (a “blusinha”), o que alterou rotas do comércio eletrônico e diminuiu o volume processado pela empresa.
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), iniciado em janeiro de 2023, não tem conseguido equilibrar as contas dos Correios. O rombo tem aumentado. No início da gestão, Lula nomeou Fabiano Silva dos Santos para a presidência da estatal. O período em que Santos conduziu a empresa foi marcado por deterioração financeira e perda de receitas, especialmente neste segmento de encomendas internacionais.
Em setembro de 2025, diante do agravamento do prejuízo bilionário e das críticas sobre a situação financeira da companhia, Santos deixou o cargo, sendo substituído por Emmanoel Schmidt Rondon, escolhido pelo governo para conduzir um processo de reestruturação e tentar estabilizar as contas da estatal.
O prejuízo também aumentou porque a estatal constituiu provisões de R$ 2,63 bilhões para possíveis perdas em ações trabalhistas relacionadas a adicionais pagos a funcionários da distribuição externa.
Empréstimo dos Correios
Com gastos estratosféricos, os Correios lançaram um Plano de Demissão Voluntária (PDV). Entre fevereiro e abril de 2025, 3.181 funcionários aderiram ao programa, número abaixo da meta inicial de cerca de 10 mil desligamentos. Em duas rodadas do plano, em 2024 e 2025, 3.756 empregados deixaram a estatal, com economia estimada de R$ 147,1 milhões neste ano e cerca de R$ 775,7 milhões em 2026. Mesmo com essas medidas, a empresa encerrou o período com patrimônio líquido negativo de R$ 13,1 bilhões, reflexo das perdas acumuladas.
Diante da pressão de caixa, a estatal buscou apoio no sistema financeiro. No fim de 2025, firmou um empréstimo de R$ 12 bilhões com um consórcio formado por Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. O contrato conta com garantia da União, o que significa que o governo federal assume o pagamento caso a empresa não consiga honrar a dívida.
Dois meses depois, em fevereiro, também foi autorizado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) que a estatal pegasse mais R$ 8 bilhões em operações de crédito. O novo empréstimo também foi concedido por um consórcio de bancos. O objetivo da estatal é completar o plano de financiamento de R$ 20 bilhões. A União, com o Tesouro Nacional, novamente se responsabilizou por cobrir eventuais inadimplências dos Correios.
A operação com os bancos prevê três anos de carência, início das parcelas em dezembro de 2029 e juros equivalentes a 115% do CDI, com validade até 2040. Ainda assim, o crédito cobre apenas parte das necessidades da estatal. O plano de reestruturação inclui ainda venda de imóveis, renegociação de dívidas e fechamento de unidades deficitárias.


