“Não é feio copiar aquilo que dá certo”, diz Afonso Fernandes ao defender modelo de desenvolvimento para o Acre

Em entrevista ao programa “O X da Questão”, apresentado por José Aleksandro da Silva, o deputado estadual Afonso Fernandes (União Brasil), candidato à reeleição, defendeu uma mudança na estratégia de desenvolvimento do Acre, com foco na integração regional, atração de investimentos, fortalecimento do setor produtivo e articulação entre os poderes.

Atual presidente do Parlamento Amazônico, Fernandes afirmou que o Estado precisa superar um modelo excessivamente dependente de recursos federais e aproveitar oportunidades já existentes para ampliar a geração de emprego e renda.

“Este é o momento de discutir o desenvolvimento do estado. Não é hora de falarmos de políticas pequenas que não levam ao avanço”, afirmou.

Um dos principais pontos abordados por Fernandes foi o potencial logístico do Acre. O deputado defendeu a concretização de projetos capazes de conectar o Brasil ao Oceano Pacífico, especialmente por meio da BR-364 e da ligação com o Peru.

Segundo ele, a utilização da estrutura do Porto de Chancay, no litoral peruano, pode representar uma vantagem estratégica para o Acre e estados vizinhos, reduzindo tempo e custos de importação e exportação e ampliando a competitividade da região.

“Não é feio copiar aquilo que dá certo”

Ao falar sobre os caminhos para o desenvolvimento, Afonso Fernandes utilizou a experiência de Rondônia como exemplo. O parlamentar afirmou que acompanhou parte do processo de crescimento do estado vizinho e avaliou que o Acre pode aproveitar experiências que deram resultado.

“Não precisa inventar a roda, porque ela já existe. Não precisa inventar o fogo, porque ele já existe. E não é feio copiar aquilo que dá certo. Não é feio”, declarou.

Fernandes destacou que, em determinado momento da história, o Acre possuía vantagens econômicas e estruturais em relação a Rondônia, mas, segundo ele, decisões políticas diferentes contribuíram para que os estados tomassem caminhos distintos.

“E aí é onde vem o X da questão: política”, resumiu.

Na avaliação do deputado, Rondônia conseguiu abrir espaço para a produção e para a chegada de novos investimentos, enquanto o Acre permaneceu atrás em alguns indicadores econômicos.

“Rondônia hoje é um celeiro de produção. Nós ficamos para trás e precisamos correr atrás desse prejuízo”, afirmou.

Incentivos para atrair empresas

Outro ponto defendido pelo parlamentar foi a criação de políticas de incentivo capazes de atrair empresas e indústrias para o Acre. Fernandes citou a possibilidade de utilização de mecanismos de renúncia fiscal como instrumento para estimular investimentos.

“Você perde um pouco na arrecadação, mas ganha na geração de emprego e renda”, afirmou.

O deputado relacionou a proposta ao chamado princípio de Laffer, segundo o qual uma redução da carga tributária, em determinadas circunstâncias, pode estimular a atividade econômica e ampliar a arrecadação posteriormente.

“É possível diminuir a carga tributária em nome do crescimento econômico. É isso que precisa ser feito. Senão, nós não vamos sair desse atraso”, declarou.

Para Fernandes, entretanto, medidas dessa natureza dependem de mudanças na legislação e de uma atuação conjunta entre Executivo e Legislativo.

“Nós, deputados, estamos prontos para ajudar. Tem que mudar essa leitura”, disse.

União entre os poderes

A necessidade de maior integração entre os poderes constituídos também foi destacada durante a entrevista. Fernandes citou uma experiência recente em Rondônia, onde, segundo ele, representantes dos diferentes poderes e órgãos de controle participaram de discussões sobre o orçamento estadual.

O parlamentar defendeu que Executivo, Legislativo, Judiciário e órgãos de controle trabalhem de forma mais coordenada, evitando a fragmentação de recursos e esforços.

“É preciso que haja unidade. A Assembleia Legislativa está pronta para a mudança que precisar ser feita. Nós vamos apoiar. Esse é o nosso papel”, afirmou.

Segundo Fernandes, uma maior cooperação institucional pode contribuir para garantir continuidade às políticas públicas e permitir que os recursos sejam utilizados de maneira mais eficiente.

Emprego para os jovens

O deputado também relacionou o desenvolvimento econômico à permanência dos jovens no Acre. Fernandes afirmou que o estado ampliou a oferta de formação profissional e universitária, mas ainda enfrenta dificuldades para absorver esses trabalhadores no mercado.

“Temos um monte de faculdades formando jovens em todas as profissões possíveis. Mas, quando eles vão atrás do mercado de trabalho, não encontram. Por isso estão indo embora”, declarou.

Para o parlamentar, a criação de oportunidades econômicas deve estar entre as prioridades do poder público.

“Nós representamos uma população que está faminta, que está precisando de um lugar ao sol”, afirmou.

Eleições de 2026

Ao comentar o cenário eleitoral de 2026, Afonso Fernandes, que é candidato à reeleição pelo União Brasil, defendeu que os candidatos apresentem propostas claras e que o eleitor acompanhe o histórico dos políticos antes de decidir seu voto.

O deputado também falou sobre a necessidade de uma espécie de “depuração” da política local, com maior fiscalização e participação da população no acompanhamento dos mandatos.

“Ninguém precisa vencer, precisa convencer pelas propostas. O candidato não precisa derrotar o adversário, mas demonstrar que está preparado para governar o Acre”, concluiu.

Fernandes encerrou a discussão defendendo uma mobilização conjunta dos diferentes setores da sociedade e dos poderes públicos para construir uma nova estratégia de desenvolvimento para o estado.

“É preciso que todos aqueles que fazem o Estado funcionar, de mãos dadas, consigam mudar um pouco essa história.”

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