“Não existe segurança forte com um profissional desmotivado e injustiçado”, diz Eden Azevedo ao defender equivalência salarial entre as forças de segurança do Acre

No papel, todos pertencem à segurança pública. Na prática, o contracheque revela um abismo entre categorias que enfrentam os mesmos riscos.

Por que a vida de um policial militar vale mais do que a de um policial penal no Acre, se o risco que ambos enfrentam é o mesmo? Outros estados já avançaram na equivalência salarial entre as forças de segurança. Qual é a desculpa do Acre para ficar para trás? É possível ter uma segurança pública forte e eficiente quando parte dos seus profissionais se sente esquecida e injustiçada?

Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Penal, Corpo de Bombeiros Militar, Detran, Instituto Socioeducativo do Estado do Acre (ISE). No papel, todos integram a segurança pública acreana. Na prática, o contracheque não diz o mesmo. Uns são valorizados. Outros são esquecidos. Mas todos enfrentam o crime.

A pergunta que não quer calar é simples e incômoda: por que a vida de um herói no Acre vale menos do que a de outro, se o risco é o mesmo?

Quem faz essa pergunta com mais veemência é Eden Azevedo, do PL, policial penal e ex-presidente do Sindicato dos Policiais Penais do Acre. Para ele, o debate sobre equivalência salarial não é uma questão corporativa, mas uma questão de coerência e justiça com quem protege a sociedade.

“Distrito Federal e outros estados como Goiás e Mato Grosso já entenderam que segurança forte se faz com equilíbrio. O Paraná já avançou. Qual a desculpa do Acre ficar para trás?”

Eden Azevedo, policial penal, ex-presidente do Sindicato dos Policiais Penais do Acre e pré-candidato a deputado federal

Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso e Paraná são exemplos citados por Azevedo de unidades da federação que avançaram no alinhamento das remunerações entre as diferentes forças de segurança, reconhecendo que a eficiência do sistema depende do equilíbrio entre todas as peças.

No Acre, a discussão ainda engatinha. A desigualdade salarial entre as categorias não apenas gera insatisfação e desmotivação nos quadros mais desvalorizados, mas pode comprometer a própria integridade da segurança pública como sistema integrado. Afinal, não adianta fortalecer uma ponta da corrente e deixar a outra enferrujar.

“Eu defendo a equivalência salarial. Não dá para dividir quem deve estar unido no fronte. Não existe segurança forte com um profissional desmotivado e injustiçado”, diz Eden Azevedo.

A discussão sobre equivalência salarial na segurança pública acreana não é apenas uma pauta sindical. É um questionamento sobre o modelo de gestão da segurança no estado, sobre prioridades políticas e sobre o valor que o poder público atribui, concretamente, à vida de cada profissional que veste uma farda.

Se a resposta a essa pergunta ainda não existe no Acre, talvez a próxima legislatura seja o momento de cobrar uma. Isso não é impossível. Depende de vontade política.

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